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El Periódico Extremadura | Domingo, 29 de março de 2020

Uma enfermeira do SES em Moçambique

A extremenha {Laura} {Rasero} participa na primeira missão do Plantel/elenco Treinador Espanhol de Ajuda e Resposta a Emergências ({START}), que tem espalhado em {Dondo} um hospital de campanha após o passo do ciclone {Idai} H A equipa, conhecido como os coletes vermelhos, foi recentemente homologado pela OMS H «É um orgulho poder/conseguir faz parte deste grupo», conta

G. MORAL
22/04/2019

 

«Em Moçambique não existe a palavra futuro, não há tradução porque ali ninguém pensa no futuro, pensa no dia-a-dia», conta a enfermeira extremenha {Laura} {Rasero} {Álvarez}. E esse dia-a-dia é agora mesmo sobrepor-se às terríveis consequências de um ciclone que faz apenas um mês chegou sem aviso e devastou tudo a seu passo: deixou 500 pessoas falecidas e mais de 140.000 deslocadas. «À pobreza que já vive o país se somou esta desgraça, mas o carácter desta pessoas lhes faz sobrepor-se rápido e desde o minuto um se têm posto a levantar suas casas e suas vidas», conta esta extremenha de Zafra. E ela o tem visto com seus próprios olhos. {Laura} {Rasero} é uma das 71 pessoas, entre sanitários e pessoal de logística, que conforma o Plantel/elenco Treinador Espanhol de Ajuda e Resposta a Emergências ({START}) que foi a seu ajuda após a chamada do país.

São os conhecidos como ‘coletes vermelhos’, que têm realizado em Moçambique sua primeira missão como grupo espanhol de cooperação já consolidado após ter sido acreditado e verificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Este plantel/elenco começou a forjar-se no 2016. Para fazer parte dele se requer formação, experiência e idiomas e a enfermeira extremenha não duvidou em inscrever-se. Adora ajudar a aqueles que mais o necessitam e já participou como voluntária em várias missões humanitárias: no terramoto de Haiti, no tufão de Filipinas, em {Gambia} e no resgate de migrantes a bordo do {Open} {Arms}.

Por isso quando recebeu uma mensagem ao telemóvel avisando-a de que estava pré-selecionada para esta primeira missão do Plantel/elenco {START} não se o pensou. «Senti muita emoção, é um orgulho fazer parte deste novo plantel/elenco espanhol de resposta a emergências». Só/sozinho necessitou a autorização da gerência da área de saúde do SES na qual trabalha como enfermeira de urgências e chegou cedo. «Se têm levado muito bem». 48 horas depois já estava em chão africano.

Um hospital desde zero

Foi no passado 29 de Março quando a primeira série de profissionais chegou a {Dondo}, uma localidade da província de {Sofala}, no centro-este de Moçambique. Ali, junto ao hospital local transbordado e meio destruído, se instalou o hospital de campanha espanhol com capacidade para até 20 ingressados e um sala de operações. A primeira missão foi o montagem de toda a infraestrutura, tanto/golo a sanitária como as tendas de campanha onde se alojaram os 71 profissionais deslocados. «{Partimos} totalmente de zero e isso também fez muito enriquecedor a nível pessoal este projeto que desde o princípio {construimos} com nossas próprias mãos, desde aplanar o terreno com um ancinho, a construir {letrinas}, montar um sala de operações ou um {box} para os críticos... e todos trabalhando em plantel/elenco», assinala {Laura}. Só/sozinho dois dias depois de/após chegar já estavam atendendo a os primeiros pacientes. O seu trabalho durante os 15 dias que passou em Moçambique consistia na avaliação inicial, a recolhida de dados dos usuários –falam português–, a assistência em urgências e também em consultas externas com um médico de urgências. O trabalho era intenso e duro, não só/sozinho pelo volume mas também pelas condições. «A ideia inicial era fazer turnos de amanhã, tarde e noite, mas as elevadas temperaturas com mais de 40 graus e a humidade fazia insuportável aguentar muitas horas debaixo de as tendas do hospital e nos {organizamos} em turnos de três horas para girar e descansar».

Cirurgias, raios e obstetrícia eram as tarefas mais solicitadas desde o hospital local, mas também lhes chegavam pacientes com diversas patologias. «Como consequência do ciclone tinha muitas feridas infetadas, {fracturas} sem curar e casos de cólera e malária em aumento após o desastre natural. Estes últimos os {derivábamos} a uma unidade específica que tem ali Médicos sem Fronteiras». E para além do ciclone, o hospital espanhol realizou numerosas intervenções de {apendicitis}, hérnias e cesarianas: «têm nascido pelo menos doze bebés». Também encontraram-se com diversas patologias crónicas que, diante da falta de recursos, estavam «descontroladas» –«as medicinas ali são de pagamento e a maioria da população não tinha nem para comer»–, queimaduras... Ao todo, o primeiro plantel/elenco atendeu a mais de 1.100 pacientes e o segundo –que substituiu aos primeiros voluntários– ainda segue/continua ali até Maio.

De volta a casa e a seu trabalho no SES, ¿que destaca desta missão? «A equipa de companheiros fantástico e a {resiliencia} da população de Moçambique, que apesar de terlo perdido tudo se tem posto a levantar suas casas e suas vidas desde o minuto um, sem olhar atrás e sem tragédias», aponta.

«Me sinto viva»

Por sua experiência noutras missões de cooperação, {Laura} está preparada para enfrentar-se a este tipo de situações: «te fazes uma ideia do que te vais a encontrar embora não por isso {dejas} de impressionar-te com as coisas que {vives}». Apesar da dureza, o cansaço e a frustração que sente ao ver problemas que no primeiro mundo teriam uma fácil solução, {Laura} volta contenta com o trabalho realizado e com vontade de ir-se de novo. «Voltaria com os olhos fechados». ¿Porque é que? «Porque ali me sinto viva, sinto que faço falta e que posso ajudar a pessoas que verdadeiramente necessita-o, porque me sinto mais útil e porque acredito/acho que tenho muita sorte de ter nascido nesta parte do mundo e me sinto em dívida por isso, sinto que tenho que partilhar o que tenho com os que mais o necessitam... E porque me trago sempre muito mais do que eu deixo ali».

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