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O patronato agrária vê «inaceitável» outra subida salarial e prevê menos emprego

Associações e opas demandam ao novo Governo leis que travem a especulação e os baixos preços. Os sectores mais afetados serão os de frutos, o olival superintensivo, vinhedo, colorau e tabaco

 

Uma jornaleira trabalhando na recolhida de fruta. - EL PERIÓDICO

ROCÍO ENTONADO
24/01/2020

Com uns preços abaixo de o que se recebia faz três décadas e uma subida salarial de 30% no último ano, é impossível qualquer mínima rentabilidade». Disse-o ontem o presidente de Asaja Extremadura, Ángel García Blanco, mas a expressão representa o sentir maioritário das associações e organizações agrárias em relação à nova subida do salário mínimo aos 950 euros. Os jornaleiros eventuais passarão a receber 7,56 euros a hora (48,89 euros a {peonada} de seis horas e meia, 2,57 mais) e todos coincidem em que este novo incremento é «inaceitável» para o campo extremenho: a rendimento dos agricultores e pecuários caiu um 8,3% em 2019 enquanto a especulação e os baixos preços põem em risco a viabilidade das explorações.

De frutos, olival superintensivo, vinhedo tradicional, tabaco e colorau serão os sectores mais afetados porque são os que mais mão de obra geram. De facto, desde/a partir de a Associação de Fruticultores da Extremadura (Afruex) não ocultam seu «preocupação». «Os produtores não podem suportar mais custos que não são assumidos pelo mercado», afirma seu gerente, Miguel Ángel Gómez. A consequência, explica, «menos agricultores e menos mão de obra»: só no último ano se têm arrancado na Extremadura umas 2.700 hectares de de frutos (sobretudo ameixa e nectarina) e Afruex calcula que isto se traduzirá no meio milhão de {peonadas} menos para a campanha deste ano.

As mesmas cifras dá Asaja, uma das organizações agrárias mais criticas com esta segunda subida do salário mínimo. Seu presidente, Ángel García Blanco, prevê que será «a ruína» do campo extremenho e apelida o acordo fechado entre o Governo e os parceiros sociais de «populista». «Está {complementamente} fuera da realidade que se vive no campo extremenho», assinala García Blanco, que insta ao resto de organizações a não assinar o próximo convénio do campo. Como solução, advoga uma vez mais por aplicar o Estatuto dos Trabalhadores para que a {peonada} se eleve às oito horas.

REESTRUTURAÇÃO / Na mesma linha, o presidente de Apag Extremadura Asaja, Juan Metidieri, qualifica de «má notícia para o campo extremenho» a medida. No seu entender, com este tipo de políticas vai-se a obrigar ao campo extremenho a acometer uma reestruturação, de tal forma que as produções geradoras de mão de obra estenderão a desaparecer por outras alternativas «mecanizadas» e com menos custo laboral, como o tomate ou o amendoeira.

Além disso, Metidieri também criticou que este tipo de decisões se façam «sobre/em relação a tábua rasa» em todo o país quando existe uma brecha salarial de 600 euros entre um extremenho e um basco. «É muito diferente um salário mínimo de 950 euros numa comunidade ou noutra», assinalou.

Por seu lado, o secretário-geral de UPA-UCE, Ignacio Huertas, recordou que atualmente os preços «não cobrem os custos das explorações pela especulação das indústrias e empresas distribuidoras» e por isso exigiu ao novo Governo que também ponha preto no branco em cima da mesa leis contra as «más práticas» que fazem que os agricultores estejam constantemente perdendo rendimento. «Necessitamos salários dignos, mas também preços que cubram custos», defendeu.

Em qualquer caso, o que fica claro é que o real decreto que aprovará o Governo com a subida do salário mínimo é de obrigado cumprimento para todos os sectores e por isso, num prazo de 15 dias as organizações agrárias reunir-se-ão com os sindicatos CCOO e UGT para atualizar as tábuas salariais do campo. A ideia, segundo explica Miguel Talavera, secretário-geral de {FICA}-UGT, é que já na ordenado de Fevereiro se possam adaptar os salários para evitar atrasos. Este será além disso o primeiro passo para retomar a negociação do novo convénio do campo, paralisado depois de/após que no passado ano não se chegasse a um acordo entre ambas partes pelo aumento de jornada que pediam as organizações agrárias e que supôs uma linha vermelha para os sindicatos. O novo cenário complicará as negociações, mas desde/a partir de UGT e CCOO confiam em que finalmente se possa chegar a um acordo porque «esta vez não há desculpas», disse Talavera. Desde/a partir de CCOO, o responsável da Federação Agroalimentar, Saturnino Lagar, não acredita que esta nova subida salarial possa afetar negativamente ao campo. «Ao contrário, fá-lo-á mais atrativo para a mão de obra que tanta falta faz-lhe», assegurou.