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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 17 de dezembro de 2018

Mercedes Murias «Não ser capazes de atender a os dependentes, aos meninos e aos maiores/ancianidade é um termómetro que indica que a sociedade vai mau»

Chegou a Extremadura faz 25 anos da mão do pai Ángel para dar início Mensageiros da Paz, uma organização que trabalha com os esquecidos do sistema. A defesa dos mais desfavorecidos da sociedade não é nela algo {impostado} mas o resultado duma realidade familiar que exerce quase como um {apostolado}. Mercedes Murias é o exemplo do que tem de ser a heroicidade, a representação viva do cocktail da alegria. Presidenta de Mensageiros da Paz na Extremadura (Madrid, 1960)

POR Miguel ángel muñoz
10/06/2018

 

-Silvia Tostado, coordenadora do Área de Famílias de Fundação Triângulo na Extremadura, protagonizava na semana passada esta entrevista e lhe lança a seguinte pergunta: «¿Em que medida está contribuindo a que o mundo, quando você não esteja nele, seja melhor?

-Bom, pois miúda pergunta mais difícil. A mim gosto falar em primeira pessoa do plural e acredito/acho que sim estamos contribuindo a que o mundo seja melhor. Em Mensageiros da Paz nos {dedicamos} a dar oportunidades aos coletivos mais desfavorecidos, esses são nossos grandes esforços, trabalhamos/trabalhámos com pessoas com deficiência, maiores/ancianidade, adictos, famílias em risco de exclusão, mulheres, e todos eles, quando têm algum problema, vão a nós.

-Você é presidenta de Mensageiros da Paz na Extremadura. ¿Que é no seu entender a paz?

-Fundamentalmente algo em teu interior. Mas em Mensageiros temos uma linha de cooperação internacional que trata de paliar os {socavones} que certos governos de países do mundo causam nas pessoas. O nosso é uma questão de estar, de onda de água, trabalhamos/trabalhámos no que {crees} e irradiar um pouco/bocado de paz.

-E são mensageiros num mundo que não andor precisamente em paz...

-Efetivamente, e com nosso pequeno grãozinho de areia {intentamos} trabalhamos/trabalhámos em isso, não sei se {logramos} a paz, mas o que sim se {logramos} é levar tranquilidade a muitas famílias. Mensageiros da Paz é imenso, somos muitíssimos, estamos em 42 países do mundo e em quase todas as comunidades autónomas de Espanha.

-É obrigado citar em primeira minuta ao pai Ángel, o fundador de Mensageiros da Paz, um personagem querido mas ao tempo controverso, ¿pode falar dele?

-Claro, adoro o pai Ángel, é um personagem muito mais querido que controverso. É uma pessoa que luta pelo que acredita e isto às vezes produz controvérsia, como não, mas temos de pregar com o exemplo e isso é o que faz magnificamente. Há pessoas que apresenta se o pai Ángel realiza ações mais afastadas ou mais próximas com as doutrinas da Igreja; eu o conheço desde há muitos anos e sempre o vejo exercitando a doutrina na qual acredita. ¿Onde faz mau o pai Ángel quando ajuda aos demais, oficia casamentos de pessoas homossexuais, abençoa animais? {Llegué} a Extremadura faz quase 25 anos de sua mão com a missão de dedicar-me aos coletivos desfavorecidos e isso é o que levamos fazendo com êxito porque nos temos ido aumentando até ter atualmente uns 25 programas e centros. Para mim o pai Ángel é um modelo, é o capitão de tudo este plantel/elenco tão imenso de mais de 5.000 pessoas em todo o mundo.

-Claro, porque Mensageiros da Paz é muito mais que o pai Ángel...

-Ele nos capitaneia, é nosso modelo a seguir/continuar, é incansável, e claro que Mensageiros é mais que o pai Ángel, como ele mesmo diz. E assim o tenho aprendido eu desde que {llegué} a Extremadura. Primeiro {montamos} um centro ocupacional para umas 100 pessoas com deficiência intelectual em Moraleja, logo outro em Nuñomoral, em Las Hurdes, para 70 pessoas, logo uma comunidade terapêutica para pessoas com dependencias e assim sucessivamente até 12 residências, programas de famílias. Hoy {atendemos} a 1.528 extremenhos, com um volume em média de 308 trabalhadores.

-¿E dentro de tudo este projeto, que é o voluntariado?

-Temos um grande programa de voluntariado. É uma atitude, é querer dar parte de teu tempo a algo que repercuta {productivamente} na sociedade, em qualquer âmbito e em qualquer atuação. Faz falta responsabilidade e acreditar/achar e estar motivado para isso e seguidamente deixar-te levar por essa boa {intencionalidad} que {tienes}.

{SFlb}-Porque vocês trabalham com os esquecidos...

-Poderíamos dizê-lo assim.

-E continuamos vivendo as terríveis consequências da crise neste país. Ainda são necessários os refeitórios sociais...

-Sim que o são. Se indica que parece que há uma melhoria económica, mas infelizmente continuamos atendendo a muitos cidadãos. Temos um programa em Mérida com 250 pessoas: lhes damos sacos de alimentos todos os meses, brinquedos, material escolar... mas além disso {intentamos} dar soluções, informação, mediação, orientação e inclusivamente inserções laborais. A crise se tem incrustado, continuamos tendo pessoas que necessita dia-a-dia a ajuda externa e é verdade que {logramos} dar-lhes um emprego, mas há vezes que com um trabalho não {tienes} suficiente como para poder/conseguir viver e atender a teu família.

-Além disso vivemos numa sociedade com meninos {desasistidos}...

-Vivemos numa sociedade na qual ainda segue/continua tendo meninos {desasistidos} e isso é intolerável. Eu que estive com o pai Ángel em Haiti, na faixa de {Gaza}, em República Dominicana, em {Benín}, tenho visto muita infância {desasistida}, o qual nos indica que é um termómetro de que a sociedade vai mau. Porque se nós não somos capazes de atender a nossos dependentes, aos meninos e aos maiores/ancianidade, ¿como vamos a resolver as questões que estão no meio?

-Vivemos num país, Espanha, onde a corrupção tem desacreditado a nossa classe política. ¿Que face se lhe fica com a que está a cair?

-Quero pôr um sorriso dia-a-dia, saio a cada manhã a apresentar batalha, a fazer meu trabalho com esforço porque gosto, mas o que vejo por volta de são uns políticos que estão completamente à margem de o que a sociedade necessita, quer e lhes requer. Neste teatro cada um tem seu papel e interesses pessoais e partidaristas sem pensar no bem da comunidade, que para isso é para o que teriam que fazer política.

-Uma comunidade onde continuam a producir-se despejos...

-Onde estamos vendo a pessoas que não pode pagar o aluguer ou ter uma vida com dignidade. E para isso as {oenegés} {planteamos} programas paliativos. Na Extremadura temos programas de família em Mérida e Moraleja, mas em Madrid está o pai Ángel na igreja de São Antón dando o pequeno-almoço a 200 pessoas {sintecho}, despejadas, que logo vão a essa cadeia de restaurantes {Robin} {Hood} que dão de jantar dignamente aos mesmos que têm ido ao pequeno-almoço da manhã.

-Citou o assunto das dependencias, e vocês desenvolvem o programa {Pandora}, que atende a oito menores da província de Cáceres sancionados por consumo de drogas...

-O {Pandora} é um programa dirigido a menores de 18 anos do Sistema Extremenho de Saúde que, entre outros, gere Mensageiros da Paz no norte da região. É uma alternativa ao pagamento da sanção económica, que oscila entre os 600 e os 10.000 euros pela posse ou consumo de substâncias estupefacientes na rua. A estes jovens se lhes apresenta fazer um programa de sete sessões, umas teóricas e outras práticas, que as {enfocamos} até outros modelos de lazer e de comunicação de pais com filhos. Mas além disso {gestionamos} uma comunidade terapêutica onde {atendemos} ao longo do ano a umas 40 pessoas em regime de internamento. Têm que vir sem consumir, mas foram grandes consumidores. Fazem um programa duns 12 meses, daí podem passar a um centro de dia e inclusivamente podemos terminar o programa com um apartamento de inserção laboral.

-É verdade que fazem projetos em América, África, Ásia... mas claro, em Espanha continuam a ser necessários...

-Penso nessas 1.500 e pico famílias que temos atendido e sim sinto que somos necessários, mas não só/sozinho Mensageiros da Paz, que o somos, mas todas as organizações não governamentais que trabalhamos/trabalhámos nos serviços sociais. Está claro que o Estado não chega à atenção de todos os serviços sociais, embora deveria ser um dos seus objetivos. Contextualizando em Mensageiros da Paz Extremadura, fizemos uma lavor/trabalho fundamentalmente no {noroeste} de Cáceres, num meio rural, num meio onde temos programas em povoações às vezes menores de 1.000 habitantes e somos os maiores/ancianidade geradores de emprego da zona, de emprego feminino também. Nossa associação é um pouco/bocado o reflexo do que é Extremadura, disseminada, envelhecida e rural. Além disso tenho compreendido que se nos conhece muito mais desde que estamos em Mérida e Badajoz que durante todos estes anos que estivemos concentrando nossa atividade em Moraleja e seu ambiente.

-Aí queria chegar, ¿não lhe dá a sensação de que na Extremadura continuam a estar {invisibilizados}?

-Se me tivesse perguntado/questionado qual é a maior fraqueza de Mensageiros da Paz Extremadura tivesse respondido que sim, mas nos temos dedicado a criar programas, a mantê-los, a criar emprego, a atender a nossos usuários e suas famílias, e realmente não nos {preocupamos} da difusão até que nos demos conta de que somos grandes desconhecidos. Mas lhe temos posto soluções, abrindo uma delegação em Mérida, que foi um ponto de inflexão e nos tem {catapultado} a toda Extremadura.

-Tem falado das mulheres, que estão sendo vítimas da violência machista, é um flagelo; de modo que onde não chegam os políticos chegam as {onegés}, ¿mas não lhe parece isso um fracasso do Estado?

-Sim. As {oenegés} somos um reflexo da sociedade, e lá onde ela não chega, chegam as {oenegés}, associações e movimentos populares tapando vazios. Fala da violência de género, se nos vamos à sentença de A {Manada}, por exemplo, nos damos conta de que é um despropósito, e não me vou a meter com as sentenças dos tribunais, mas que não foi bem julgada, sim o penso. E, vamos ver, aqui temos esperanças, temos reagido; com esta sentença, com o 8 de Março... se vêem novos ventos. Temos melhorado, {logramos} o voto feminino e agora até temos cargos de responsabilidade. Acredito/acho que o século XXI vai ser o das mulheres, que somos umas heroínas. Nos subida muitíssimo mais trabalho chegar mas estamos chegando e acreditemos tendência.

-Passa o mesmo com a dependência ou a deficiência...

-Quando as famílias dos jovens com deficiência começam a fazer-se presentes na sociedade ou vemos que existe um nível de maiores/ancianidade desatendidos, nos damos conta de que temos que fazer algo com eles. Os governos têm que paliar estas circunstâncias, ¿mas como?, pois dando ajudas. Que {fíjese} que também penso que é melhor que os governos tenham suas políticas sociais, trabalhem nelas, se nutram das associações que estamos ao pé da rua trabalhando com os coletivos e tenha uma fusão entre o que são as políticas governamentais, as necessidades reais levadas pelas associações e se há dúvidas, melhor que giram as associações.

-Mensageiros da Paz nasceu através de um orfanato em Oviedo, eram casas lar onde os jovens e raparigas se criavam conjuntamente e isto foi algo revolucionário em Espanha...

-O pai Ángel começa no ano 62 tentando fechar os orfanatos para transferir aos meninos a um apartamento com uns educadores, um apartamento duma planta sem placa nenhuma na porta, onde assistissem ao colégio de sua zona e tentassem levar a vida o mais normalizada possível. Assim começou Mensageiros da Paz, cujo objetivo eram fundamentalmente os meninos desprotegidos.

-Falamos da infância, ¿pode descrever a sua?

-(Se comove). Que pergunta mais bonita para mim. Foi uma infância estupenda, sou a maior de três irmãs, minha irmã é uma artista {renombrada} e a pequena era uma pessoa com deficiência intelectual, com paralisia cerebral que faleceu aos 34 anos. Era uma pessoa que tinha um deterioração cognitivo profundo e penso que é o {leitmotiv} da nossa família. Tenho um pai com 96 anos, que me tem ensinado tudo na vida, que é um exemplo para mim e que irradia bondade, e uma mãe que era o alma de toda a família. Minha mãe tem morto com 91 anos, faz agora três, e entre meu pai, minha irmã {Susana} e eu {logramos} entender que Cristina era o mais importante da família, especial, mas não por isso se a queria mais. Penso que isso foi o que decidiu minha profissão. Com só/sozinho 23 anos já trabalhava num centro onde {atendíamos} a mais duma trintena de jovens com grandes deficiências. Foi uma infância satisfatória, com uns pais estupendos que me ensinaram o valor da vida, que tudo temos de consegui-lo com esforço, que ninguém te oferece nada e que temos de lutarlo. E tudo isso é o produto de ver a vida com a serenidade que agora mesmo a vejo. ¿Qual é o secreto? Muito fácil, o que quero para minha irmã, sim, o que não quero para minha irmã, não vale.

-Você tem tido uma vida na qual foi muito ouvida. Mas aí está o Telefone Dourado de Mensageiros da Paz, esse 900222223 ao que chamam todos aqueles que se sentem sós. A solidão é também outro dos {males} da aparente avançada sociedade de hoje...

-Fui a diretora desse telefone e aí {comprendí} a grande solidão da pessoas. É um telefone que atendem um monte de voluntários com uma organização fantasiosa e que é uma linha aberta para atender a solidão das pessoas e ter um bocadinho de conversa amável.

-Agora aos telefones se somam as redes sociais. Para terminar esta entrevista, ¿que acha delas?

-São um poderoso produto do mercado digital, com grandes poderes benéficos e grandes poderes maléficos. É verdade que até por Facebook podes ser solidário e é uma estratégia para aumentar a capacidade de convocatória da pessoas, o exemplo, o incêndio da Serra de Gata em 2015 onde Mensageiros da Paz colaborou muito ativmente. Por outro lado, temos o espionagem nacional, sabemos que o criador de Facebook tem tido que pedir perdão, é uma ferramenta que pode manipular os sentimentos e acredito/acho que, como tudo, temos de ter madurez para poder/conseguir manejar as redes sociais e temos de tentar proteger à infância e à juventude da {detracción} que podem ter e, por outro lado, dar-lhes uma ferramenta benfeitora com tudo o benéfico de formação e informação que este suporte implica.

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