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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 16 de novembro de 2018

A dor palestiniano desde Extremadura

«A cadeia ao ar livre maior do mundo». Assim expressam {Hussein} {Abo}, vizinho/morador de Cáceres, e {Adel} {Najjar}, imã de Badajoz, como sobrevive a população de {Gaza}. Ali estão suas famílias e suas raízes

ROCÍO SÁNCHEZ RODRÍGUEZ
16/05/2018

 

«15 pessoas morrem cada mês por doenças que se podem curar porque os medicamentos estão esgotados. E à pessoas doente não a deixam sair para ir a tratar-se a outro sítio. O contam os próprios sanitários. O bloqueio de Israel é por terra, mar e ar. Só/sozinho há duas horas de eletricidade ao dia. No ataque de 2014 destruíram 60.000 casas, mais de 3.000 fábricas... O 65% da população não tem trabalho. A situação é catastrófica». A realidade que descreve {Hussein} {Abo}, um vizinho/morador de Cáceres de 48 anos, é a que tem que enfrentar sua família na Faixa de Gaza. «É a cadeia ao ar livre maior do mundo», resume.

Na segunda-feira passada se cumpriam 70 anos desde que mais de 700.000 palestinianos fugiram ou foram expulsados após a criação do que chamaram o Estado de Israel. E desde EUA se aproveitou essa data para transferir sua embaixada de {Tel} {Aviv} à cidade de Jerusalém (reclamada como capital por ambas partes). Esse dia teve lugar a maior protesto em {Gaza} pelo regresso dos refugiados. E durante a mesma, o Exército israelita matou a 60 palestinianos, cinco deles menores de idade. Também faleceu uma bebé devido aos gases lacrimogéneos lançados.

A massacre (a maior ofensiva desde aquele fatídico ano 2014) voltou a pôr no foco este sangrante conflito e levantou um aluvião de vozes de indignação.

Entre elas, a do palestiniano {Hussein}, que desde Extremadura, onde leva mais de duas décadas residindo (trabalha na Junta), lança uma crítica clara: «A comunidade internacional olha para outro lado. A realidade é que os fortes se põem do lado dos fortes».

Angustia e preocupação

{Hussein} vive estes dias angustiado e com grande preocupação por seus irmãos; não pode evitar o medo ao que possa acontecer. As imagens que lhes chegam assustam.

Em Cáceres reside com a sua mulher, que é extremenha e católica, e seus três filhos menores de idade: «Quando sejam maiores/ancianidade que eles decidam a que religião querem pertencer».

A última vez que visitou {Gaza} foi faz já oito anos: «A sensação foi bastante má. A fronteira é complicada tanto/golo para entrar como para sair».

Isso o sabe bem outro palestiniano, {Adel} {Najjar}, imã da mesquita de Badajoz e porta-voz da União de Comunidades Islâmicas da Extremadura. Em Agosto de 2016 viajou a sua terra natal para ver a a sua mãe de 84 anos e esteve nove meses retido. «Me {despedí} dela sabendo que não a voltaria a ver», manifestou nada mais aterrar no aeroporto de Barajas após o complicado périplo. De facto, ao pouco/bocado tempo, faleceu.

Com a sua filha

Em sua mesma situação encontravam-se outras 20.000 pessoas esperando para poder/conseguir sair: «Doentes que ainda não tinham sido atendidos, estudantes de universidades europeias que tinham perdido o curso...», recorda o imã de Badajoz.

Com ele tinham viajado sua mulher e sua filha, à que teve que matricular ali num colégio para que não perdesse o curso escolar. «O bom é que lhe serviu para aprender o idioma».

Durante sua concentração na Faixa de Gaza viveu frequentadores cortes de luz de oito horas, viu como milhares de famílias que perderam o lar durante os bombardeamentos de 2014 não podiam voltar a levantar suas casas pelo controlo sobre/em relação a o material de construção, porque o preço do cimento é muito elevado (muito mais caro que em Espanha); e o pior, esteve perto de dois ataques, um deles com um menor entre as vítimas mortais.

Agora vê as imagens por televisão e teme por seus irmãos que estão ali. «Sofrem como todos, lhe pedimos a deus que os proteja e os salve».

«A sangue frio»

«Assassinam a sangue frio -continua {Najjar}- a aqueles que reivindicam um direito {legímito}: voltar sua terra». E acrescenta: «Porque o Exército israelita é um assassino que sabe que está protegido, e também sabe que sua vítima encontra-se só».

Não obstante, quer distinguir, segundo seu ponto de vista, o papel que joga EUA e o que se aplica desde a União Europeia, «que é uma postura pacífica».

«Estamos vendo como estão matando a pessoas enquanto ao mesmo tempo se está inaugurando uma embaixada fuera da legalidade», expressa com indignação. «Me {pregunto} se os dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza também estão dentro da declaração universal dos Direitos Humanos», acrescenta.

Assegura que, desde Extremadura, é muito importante seguir/continuar consciencializando acerca da injustiça e os ataques que sofre continuamente o povo/vila palestiniano. «A comunidade internacional deve intervir para proteger às vítimas inocências».

Coincide com ele {Hussein} {Abo}, que não dúvida em sentenciar: «Não há humanidade. No fim o que prima são os interesses económicos».

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