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«Às mulheres sempre se nos procura um padrinho»

 

«Às mulheres sempre se nos procura um padrinho» - {JERO} MORAIS

«Às mulheres sempre se nos procura um padrinho» - {JERO} MORAIS

ROCÍO SÁNCHEZ RODRÍGUEZ
09/03/2020

Não é a primeira vez que existe uma conselheria de Igualdade na estrutura da Junta de Extremadura. Já a teve partilhando zona primeiro com Emprego e depois com Cultura. Mas agora dispõe de espaço próprio. À frente está Isabel Gil Rosiña (Jerez de los Caballeros, 1982), quem expressa: «As mulheres devemos estar nas mesas onde se tomam as decisões para que tenha perspectiva de género». Seu maior/velho esforço será, diz, fazer que se execute o Pacto de Estado contra a Violência de Género.

-¿Que é o machismo?

--A consequência de um sistema {patriarcal} que entende que há uma supremacia do homem em relação à mulher, que entende que ele tem maiores/ancianidade direitos, situação e posição. O machismo é o contrário à igualdade e ao equilíbrio natural, que é que os direitos humanos som para toda a gente, homens e mulheres.

-¿E o feminismo?

--Um movimento que tem séculos de história e que quer conseguir que os direitos humanos sejam dos seres humanos, não dos homens ou das mulheres.

-¿Porque é que há sectores que enfrentam ambos termos?

--É fruto do desconhecimento, mas eu acredito/acho cada vez há menos pessoas que sustente que machismo é o contrário de feminismo. Ou que o feminismo é que as mulheres queremos ir contra os homens, ou que {odiamos} aos homens. Há nas novas gerações um maior/velho conhecimento de que significa o feminismo e que objetivos pretende.

-¿Há um uso excessivo ou inadequado do conceito/ponto?

--Acredito/acho que não. Noutro dia tivemos um debate geracional de igualdade com três mulheres jovens e dois veteranas pioneiras no movimento feminista na região: {Cati} Galã de {Malvaluna} e Isabel Franco de Mujeres Progresistas. As jovens já não respondem ao patrão de militar num movimento feminista perfeitamente estruturado, mas a outros parâmetros por como se organiza agora a sociedade. E falavam com uma precisão da terminologia, uma capacidade de reflexão... As mulheres jovens têm sabido pegar/apanhar muito bem a bandeira do que começaram {Cati} ou Isabel ou tantas mulheres faz 40 anos.

-¿Tornou-se o feminismo num arma política?

--Provavelmente há quem pretende convertê-la num arma política, e acredito/acho que se {caemos} nesse erro não estamos sendo o suficientemente inteligentes. Às vezes a esquerda comete erros, e nos últimos dias nos temos concentrado num debate absurdo em lugar de dizer que sobre/em relação a a mesa do Governo de Espanha há uma lei que quer proteger às mulheres e que quer acabar com as violências sexuais que sofrem as mulheres. Em lugar de falar disso, nos pomos a falar doutras coisas, porque há quem nos está querendo levar a falar doutras coisas, e o feminismo institucional deve ser inteligente e não entrar em debates absurdos que alguns estão à espera e aplaudindo.

-¿Quem som esses alguns?

--Está muito claro, ¿não? A extrema direita irrompeu nas instituições, legitimamente porque os cidadãos os votaram. E seu objetivo claro é acabar com o movimento feminista, devolver-nos às mulheres a um passado escuro que não queremos nem mencionar e que está bastante superado.

-¿O feminismo é propriedade da esquerda?

--O feminismo é ideologia. E há ideologias que temos tido sempre muito claro porque é que somos feministas. A direita deste país esteve dançando sim e não com o feminismo. Agora neste ano vão outra vez às manifestações. Pois mira, bem-vindos. Eu acredito/acho que em política há algo fundamental: a coerência. E quando não se tem, pois se dança. E umas vezes se diz A e outras B.

-¿Nessa altura só/sozinho os partidos de esquerda som feministas?

--Vemos campanhas esterilizadoras como a do PP que consiste em falar bem de as mulheres de outro jogo/partido. Circunscrever os reptos/objetivos do feminismo em se falamos bem das mulheres de outro jogo/partido me parece banalizar um movimento extraordinário. O PSOE sempre tem ouvido ao movimento feminista e suas reivindicações, e muitas delas as temos transformado em leis. Eu não vou re-escrever a história, o que fizeram outros partidos com leis igualitárias que mesmo as têm recorrido, está aí.

-¿Há um importante desfasamento entre a teoria e a prática feminista?

--Isso depende da vontade política de quem governe. Faz uns meses, as ruas e praças/vagas deste país se encheram de homens e mulheres que diziam que não era abuso, mas violação, e temos um governo que tem posto sobre/em relação a a mesa um projeto de lei, que se tem que melhorar, mas que aí está.

-¿Porque é que se necessita uma conselheria de Igualdade?

--Porque a políticas públicas de igualdade devem ter já na estrutura do governo a mesma razão de ser que as económicas.

-¿Que pode fazer a Junta em matéria de Igualdade?

--Temos que ser capazes de meter-nos aos poucos como chuva fina no programa político e nas decisões que tome a Junta. Já o {veníamos} fazendo. Na passada legislatura puseram-se em marcha as unidades de Igualdade em cada conselheria, de maneira que os decretos que se tiram desde/a partir de Emprego ou Agricultura, por exemplo, têm necessariamente essa olhar desde/a partir de a perspectiva de género. Por exemplo, quando se criam/acreditem subsídios para fomentar o emprego a tempo inteiro e reduzir assim a {parcialidad}, a bonificação é maior/velho quando a empresa privada contrata a uma mulher. Responde à estatística que diz o 60% dos desempregados/parados na Extremadura som mulheres.

-Sua conselheria é a mais transversal. ¿O futuro passa porque não tenha que existir porque já se tem implantado a perspectiva de género na tomada de decisões?

--O transversal está muito bem mas tem que haver alguém que se encarregue de isso, como não se obrigue... Um exemplo: faz muito tempo o Governo de Zapatero pôs em marcha a lei que dizia que as empresas de 250 trabalhadores deviam ter planos de igualdade. Foi necessário que em 2019 um novo governo do PSOE aprovasse um real decreto para diminuir de 250 a 150, e temos de seguir/continuar obrigando a que se cumpra.

-{Sigamos} com a parte prática. ¿Você se tem sentido discriminada em política por ser mulher?

--Nos partidos políticos também há machismo. ¿Quanto? Tanto como na sociedade.

-¿Também no seu partido?

--Sim, tanto como na sociedade. Tenho que reconhecer o esforço de meus companheiros/colegas criados e educados num tempo no qual isto não interessava a muitas pessoas.

-Machismo, {paternalismo}... ¿Que situações destacaria?

--{Entré} muito jovem em política e {empecé} cedo a assumir responsabilidades. Tenho sofrido esse {paternalismo} sobretudo porque às mulheres sempre se nos procura um padrinho em política. Eu tenho tido grandes professores, Paco Fuentes foi um professor para mim, dele tenho aprendido muitíssimo. Mas isso depois se traduz nas conversações informais dos companheiros/colegas em que alguém te apadrinha, te tutela, porque {eres} uma jovem e além disso como {eres} jovem o {necesitas}. Mas também me acontece agora. {Piensas} que já {eres} mais maior/velho, {eres} mãe, como se as que não som mães não fossem maduras, porque isso também é outra..., {estás} na mesa do Conselho de Governo, {diriges} uma conselheria, {has} sido porta-voz..., mas quando tens que formar governo e fazes um boa contratação, as pessoas se pergunta se {has} sido tu capaz de fazer esse contratação ou te vem imposto pelo critério superior de um homem. Mas para além de isto, quero destacar o esforço dos companheiros/colegas do PSOE. Temos tido presidentes como Zapatero ou Pedro Sánchez que têm lançado políticas de igualdade, ou naturalmente o presidente Fernández Vara, que foi o primeiro em ter um governo composto maioritariamente por mulheres.

-Me fala de Zapatero, de Pedro Sánchez e de Fernández Vara. Três homens. Eles sempre em primeira fila, no posto importante.

--Não, isso não responde à fotografia atual da Extremadura. A presidenta da Assembleia, que é a segunda autoridade da região, é uma mulher. E jovem.

-A segunda, não a primeira. ¿É o momento de que o PSOE tenha uma candidata a presidenta da Junta?

--Ainda não se deu o caso mas se dará com naturalidade. Fernández Vara ganhou uma primárias (nas que se apresentou Eva Pérez).

-Como conselheira de Igualdade, ¿gostaria de que o próximo presidente da Extremadura fora uma mulher?

--Eu só/sozinho sou uma militância mais dos 10.000 que tem o PSOE na região. Responderá à evolução natural, como em todos os âmbitos. Naturalmente que gostaria, como não.