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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 28 de fevereiro de 2020

Desi e Tamara, ciclismo passional

As corredoras do Extremadura Ecopilhas contam as suas vivências como desportistas e trabalhadoras

JOSÉ MARÍA ORTIZ deportes@extremadura.elperiodico.com CÁCERES
14/02/2020

 

Uma delas trabalha na secção de perfumaria duma grande superfície comercial. A outra é cabeleireira. Em comum, muito em comum, coincidem em que são umas muito apaixonadas ciclistas. Aí dão rédea solta a essa ilusão, sempre grande. Como elas mesmas assumem, o desporto exerce, às vezes, de válvula de escape. Se divertem, e não pouco, Tamara Sánchez Cardoso (Montijo, 18 de Novembro de 1982) e Desireé Castro Millán (que casualidade, nasceu no mesmo dia que sua companheira, mas justo um ano depois, em Llerena). São as mulheres do Extremadura Ecopilhas, a esquadra de mountain bike com a que já conseguiram seu primeiro êxito: o passado fim-de-semana terminaram terceiras na prestigiosa Algarve Bike portuguesa.

«O desporto me dá a faísca ou a ação necessária que lhe falta ao dia-a-dia, mas por outro lado, depois de praticá-lo, me dá acalma e liberdade», diz Desi Castro. «Para mim o é tudo, é uma borbulha de oxigénio.Quando pasas um mau dia ou tens algum problema, é como meu lugar de conforto onde desanuvio», aponta, em tom entusiasmo e inexcusivelmente motivante Tamara Sánchez.

Vale a pena? «O esforço não é obrigatório. Por isso vale a pena. Ninguém te o exige, só tu mesmo. Eu treino o meu corpo 10 ou 15 horas à semana,mas minha cabeça está ativa as 24 horas do dia», diz a de Montijo. «Eu adoro esse esforço. Quando fazes uma das coisas que mais te gosta o esforço é recompensa. Treino quase todos os dias e depende, de dois até 4-5 horas», {acota} enquanto a llerenense.

NADA DE PRESSÃO / Fazem parte de um plantel ciclista no qual, segundo suas respostas, estão em plenitude, motivadas e sem pressão. «Não é questão de responder até onde querem chegar no Extremadura Ecopilhas, mais bem até onde quero chegar eu. Nunca me disseram que tenho que ganhar, sempre me têm comentado que faça o que me apeteça, mas é evidente que se treinar num plantel profissional é para ir por todas», aponta a cabeleireira.

Tamara Sánchez expõe as suas aspirações. «No Extremadura Ecopilhas quero estar sempre que esteja dando coisas positivas, como cada um dos que se encontram nesta grande família dão para mim. Gostaria continuar correndo em casais com meu par, é uma grande líder e acredito que pode tirar muito mais de mim. Além disso, temos muitas coisas em comum... muitas, muitas», assegura {distendidamente} a corredora extremenha.

Desi Castro vala rapidamente a questão quando se lhe questiona sobre a que é o mais difícil de seu desporto. «¡Ganhar, jajajaja!», diz contundente, em tanto que a sua companheira de filas é um pouco mais banal, mas não menos explícita: «o mais complicado é pôr-se a roupa de pesca, já seja a hora que seja».

SEM MACHISMO / Há machismo no mountain bike? Têm tido algum tipo de desconsideração nalguma prova ou treino pelo facto de ser mulheres? «Cada vez menos, mas sim que de vez em quando te surpreendes com alguma coisa», aponta Desi. Enquanto, Tamara desenvolve: «a mim não me aconteceu nada, claro que se terá dado algum caso, suponho. Eu pessoalmente não me posso queixar dos jovens com os que treino, coincido ou compito, porque nesse sentido o único que fazem sempre é tentar ajudar», afirma, para acrescentar: «além disso, alguma vez que me encontrei a alguém pelo monte e ia sozinha, me convidaram a unir-me a eles. Comigo os jovens sempre positivistas».

Sobre a possibilidade de ser profissionais, Desi Castro aponta que «bom... já tenho uma idade na qual sê-lo ficou longe, fico com tentar superar-me cada dia e ser melhor». Por seu lado, Tamara aduz a essa possibilidade no caso de que se desse: «sim, claro. No fim é o que te gosta e no que está em teu cabeça todo o dia».

Têm referentes? Tamara é mais global: «o mim no desporto é o Plantel, com maiúsculas. Só tens que olhar a cada um deles para dar-te conta de tudo o que te dão cada dia», Desi sim dá um nome. «Tenho muitas ‘ídolas’, mas sem dúvida como referente e ídolo fico com Pedro Romero» e desenvolve erguendo sua particular bandeira com a argumentação: «tenho vivido dia-a-dia seus treinos, esforço, constância, o querer ser melhor, não passar um dia por alto seus entre'ns, pufff... poderia dizer mil coisas mais. É um profissional dos pés à cabeça».

Questionadas sobre o que lhes poderiam dizer aos que se queiram dedicar ao ciclismo, ambas são claras em suas respetivas exposições. Desi comenta: «lhes comentaria que trabalhem duro para consegui-lo, mas se realmente é o que querem o conseguirão». Tamara põe de referência, esta vez, a alguém próximo. «Eu lhe diria o que me diz Raúl, meu marido, todos os dias: ‘faz o que te faça feliz, mas fá-lo usufruindo, já que se não, o esforço não vale a pena».

EM PLANTEL / Na hora de contar alguma curiosidade deste anos no mountain bike, a de Montijo Tamara se refere à última. «Quando vais morta e pensas que não podes mais e te encontras a um ‘baterias’ na metade do monte, que te dá um {subidón} que te leva quase a objetivo/meta». A llerenense Desi é mais genérica: «tenho muitas curiosidades, mas as melhores são com a equipa e as convivências antes das corridas/cursos, que te o {pasas} muito bem e fazemos um bom grupo, cada um com seus anos».

O passado fim-de-semana conseguiram o primeiro êxito da época na exigente cita/marcação/encontro portuguesa. O esperavam? «Sinceramente, nunca o esperas, pior eu saio a consegui-lo sempre. Estamos muito contentes com esse pódio», diz a {llerenense}. A de Montijo assegura que não pensava no êxito. «Eu ia muito motivada, com vontade de dá-lo tudo, mas não acreditava que as coisas fossem tão bem. Além disso, {aprendí} muitíssimo de Desi e acredito que tudo é melhorável». O seu entusiasmo é evidente, e a sua maneira de responder a retrata: «tenho que agradecer a todo o meu plantel tudo o que me dão e me motivam (todos, todos) e a todas as pessoas que fazem meu dia-a-dia».

Palavra de Desi. Palavra de Tamara. Palavra de ciclistas. Palavra de mulheres sobejamente motivadas para o usufruir.

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