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El Periódico Extremadura | Domingo, 19 de janeiro de 2020

Um menino perde a pele apósreceitar-lheuma dose quatro vezes superior à indicada

O médico mandou-lhe um novo medicamento para tratar-se das crise epiléticas que sofria. Produziu chagas no corpo e tiveram que coser-lhe os olhos para que não se lhe queimassem

SIRA RUMBO caceres@extremadura.elperiodico.com CÁCERES
03/12/2019

 

Denos dos quatro anos o Lucas trata-se de epilepsia. Com essa idade sofreu um engasgo e os médicos lhe receitaram uma medicação, apesar de que nunca tinha tido nenhuma crise (o menino padece uma deficiência do 48% com um défice cognitivo severo). o receitaram no hospital São Pedro de Alcántara, onde levavam o seguimento de sua doença.

Em Janeiro do ano passado, quando Lucas já tinha onze anos, foram a esta consulta e o seu médico decidiu acrescentar um medicamento mais ao que já tomava. Por outro lado lhe receitou uma dose quatro vezes superior à que devia tomar, segundo reconhece a Agência Espanhola do Medicamento e se detalha no prospeto do mesmo. Forneceu-lhe Lamictal em doses progressivas, isto é, cada semana devia ir aumentando a medicação. Lucas já tomava Depakine pelo que o novo, ao estar combinado com este outro, tem umas doses muito menores. Isso não se calculou.

Às três semanas começaram as complicações. Começou com chagas na boca pelo que foi ao seu médico de Atenção Primária. Disse-lhe que tratava-se de um herpes provocado por uma infeção mas à noite lhe subiu a febre. Os pais decidiram ir ao serviço de Urgências do hospital Virgem do Porto de Plasencia, onde residem. Aqui também lhe asseguram tratar-se duma infeção mas, ainda assim, decidem ingressá-lo. Continuou piorando por dias, até que as chagas e as queimaduras se estenderam por tudo o corpo. Se voltou de cor preto porque as queimaduras lhe produziram uma necrosis. Como consequência se lhe caíram as unhas e a pele dos mamilos, das plantas dos pés, da cabeça e da cara.

Perante esta situação se lhe transferiu ao Materno-Infantil de Badajoz, onde lhe diagnosticam o conhecido como Síndrome Stevens-Johnson, uma doença que provoca precisamente o consumo de doses excessivas do medicamento que se lhe indicou no hospital São Pedro de Alcántara. O estado de Lucas era muito crítico (para além das feridas na pele lhe provocou problemas renais) pelo que foi transferido em helicóptero ao hospital La Paz de Madrid. Uma vez ali tiveram que coser-lhe os dois olhos para evitar que também se lhe queimassem e que pudesse ficar cego. E lhe administraram quimioterapia para que sobrevivesse ao surto.

A situação que viveram os seus pais foi dramática. Segundo explica a sua mãe, Cristina Paredes, o trato nos três hospitais da região não foi o adequado. Primeiro porque tentaram retirarle importância ao que padecia, apesar de que ela, diz, via «como se lhe abria a pele» a seu filho. Denúncia além disso que também não lhe fizeram de forma correta as padres das queimaduras. «Quando chegamos a Madrid ficaram surpreendidos», recorda.

SEQUELAS / Lucas conseguiu sobreviver mas ficaram muitas sequelas: Manchas na pele, defeitos na agudeza visual, necessita sair à rua sempre com óculos de sol e administrar-se gotas de forma diária. Teme olhar-se no espelho. Para além de um transtorno psicológico que partilha com toda a sua família.

Em Novembro do ano passado puseram uma reclamação patrimonial ao Servicio Extremeño de Salud (SES) através do gabinete de advogados Lex Advocacia, um dos mais conhecidos a nível nacional em negligências médicas. Reclamam mais de 300.000 euros embora, tal como assegura uma de suas advogadas, Clara Lozano, não se descarta alargá-la. É que no hospital La Paz, após fazer-lhe diversas provas, não encontraram nem rasto da epilepsia. Suspeitam que em Cáceres lhe foi diagnosticada sem padecê-la porque, de facto, nunca sofreu nem uma só crise. O SES nunca lhes respondeu. A perguntas deste jornal o Servicio Extremeño de Salud se tem limitado a dizer que «não entra a valorizar este caso desde o momento que está a judicalizar» e que «está à disposição da justiça para o que solicite durante o processo».

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