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«Temos de defender cada dia os valores humanos, levemos ou não uma cruz»

 

«Temos de defender cada dia os valores humanos, levemos ou não uma cruz» - FOTO: ANTONIO MARTÍN

LOLA LUCEÑO caceres@extremadura.elperiodico.com CÁCERES
23/02/2020

José Ignacio Sellers Bermejo (Cáceres, 1965) não foi desses meninos que nasceu com a túnica posta. Começou a gostarle a Páscoa quando ia da mão de os seus pais a ver as procissões. Logo se ia embora com seus irmãos após elas, as seguia/continuava, lhe divertiam e lhe surpreendiam como a tantos rapazes cacerenhos dos anos 70. Já fazia parte da primeira promoção mista do Norba Caesarina quando pôs-se baixo/sob/debaixo de as andores da Oração do Horto, e quase três décadas depois segue/continua fazendo-o. Irmão de Batalhas, Penitente, Vera Cruz e Condenado, colabora estreitamente com diferentes confrarias. Este engenheiro civil, funcionário da Direção Geral de Estradas (Ministério de Transportes) desde/a partir de 1992, será o pregoeiro da Páscoa 2020. A cita/marcação/encontro: o 31 de Março às 20.00 horas no Gran Teatro.

--Um engenheiro treinador de obras públicas, amante de seu estreitamente (nos consta) frente a um pregão: ¿Lhe tem costado traçar palavras, medir emoções, calcular mensagens e desenhar sentimentos?

--O certo é que está terminado à falta de polir os últimos detalhes. Quando me comunicaram que ia ser o pregoeiro, me vinho uma trovoada de ideias à cabeça e lhe tenho ido dando forma. Eu {funciono} muito por inspiração, em minhas contínuas viagens por temas de estreitamente deixei fluir essas ideias. Foi questão de arrumá-las e perfilar-les.

&{lt};b&{gt};--Se abrem as portas do templo. Ignacio Sellers aguarda com a c&{lt};/b&{gt};{ruz} guia, encapuzado, porque sempre prefere viverlo desde/a partir de dentro. Detrás, em silêncio, as fileiras de irmãos de carga/carrega e escolta. Cheira a flores. Jesús nu treme à luz das velas. Isso é a Páscoa… ¿E como o vai a explicar em seu pregão?

--A Páscoa é um resumo de vários sentimentos: o puramente religioso sem o qual não teria muito sentido; o tradicional, pelo que significa de trajetória na vida de cada um; o estético, pelo que sugerem a música, as flores, os cheiros, os passos…; e o social, pelo que supõe o reencontro com os confrades, sempre especial. Logo há outra componente: ¿Porque é que fazemos isto se {acabamos} esgotados às doze da noite? ¿E porque é que nos satisfaz tanto/golo? Em meu caso, porque fazemos sentir emoções às pessoas, que rezam, que pedem, que choram, que se surpreendem... É tremendamente gratificante contribuir a isso. Resulta difícil levar todas estas sensações ao pregão, é certo, mas vou a tentar transmiti-lo.

&{lt};b&{gt};--O mais complexo para um pregoeiro é enfrentar-se à pergunta: ¿Que falta por dizer?&{lt};/b&{gt};

--Tenho recapitulado os pregões de anos anteriores, os tenho visualizado, são impressionantes, todos levam um eixo, uma linha argumental que lhes dá ordem/disposição, com uns conhecimentos e uma qualidade de dicção extraordinária. No entanto, vou a tratar de abordarlo desde/a partir de um ponto de vista diferente, tenho quebrado essa linha e vou a oferecer um pregão muito diferente.

&{lt};b&{gt};--¿Terá mais vivências pessoais ou mais mensagens confrarias?&{lt};/b&{gt};

--Mais mensagens muito comuns a todos os que se sentem parte da Paixão. Quero chegar a todos.

--¿Em quem pensará quando suba ao atril?

--Em meu pai, certamente. Também nos mais próximos. Mas o pregão vai dedicado aos confrades. {Trataré} de devolver-lhes a confiança que têm depositado em mim para esta responsabilidade.

--¿Quem é essa pessoa que lhe está ajudando sem fissuras?

--Minha mulher, meus filhos e meus irmãos.

&{lt};b&{gt};--¿Que supõe o peso de um pregão nesta etapa de sua vida?&{lt};/b&{gt};

--Muita ilusão/motivação e responsabilidade, mas sobretudo muita vontade de usufruí-lo. O estou fazendo desde que me o comunicaram. {Disfruto} de cada palavra, de cada passo, de cada momento.

-&{lt};b&{gt};-De facto, você pertence a uma das famílias mais ligadas à Paixão cacerenha: irmãos, pais, filhos, tios e primos encostando o ombro a várias confrarias… ¿Porque é que?

&{lt};/b&{gt};--Porque nos gostou desde/a partir de meninos, e isso apesar de que não vivemos as procissões desde/a partir de dentro, mas desde fora, nos levavam nossos pais. A seguinte geração tem seguido/continuado o exemplo, podia não ter sido assim, mas lhes tem gostado e se envolvem encantados.

&{lt};b&{gt};--¿Acredita que os confrades devem ter uma maior/velho implicação todo o ano? Você foi irmão mais velho de Batalhas, esteve na fundação de Jesús Condenado…&{lt};/b&{gt};

--Sim, se pode ajudar estando ou não nas diretivas. Resulta óbvio que temos que implicar-nos não só/sozinho na Páscoa. De facto, temos de cultivar cada dia a defesa dos valores humanos, se seja ou não cristão, se leve ou não uma cruz. Nos iria melhor a todos.

&{lt};b&{gt};--{Tracemos} un roteiro para melhorar ainda mais a Paixão cacerenha. Diga'ns a prioridade.&{lt};/b&{gt};

--Há/faz pouco se apresentou o coletivo de Jovens Confrades de Cáceres. Há portanto sangue novo, mas faz falta mais. Se perderam as longas filas de {capuchones} porque se perdeu essa idade intermédia dos jovens até que podiam carregar, agora muitos já o fazem em diferentes passos. Gostaria que se {recuperaran} estes aspetos e para isso se necessita mais pessoas jovem. Há numerosos adultos na Páscoa que requererão cedo um substituição. Sei que é difícil.

&{lt};b&{gt};--Se carga/carrega a ombro, se carga/carrega a {costal} e uma nova confraria fá-lo-á a {costal}, mas a dois ombros ¿É a versatilidade da Páscoa uma virtude ou considera que se perde identidade?&{lt};/b&{gt};

--Pessoalmente gosto a carga/carrega a ombro, mas conforme tenho ido cumprindo anos tenho aprendido a respeitar a toda a gente. É certo que em Cáceres não tinha carga/carrega a {costal}, mas estes confrades já estão perfeitamente integrados, além disso têm o mérito de fazê-lo de forma anónima.

&{lt};b&{gt};--¿Hoje em dia é fácil ser confrade na rua?&{lt};/b&{gt};

--Eu não tenho nenhuma dificuldade com meus valores, nenhum problema. Também não o vais proclamando em qualquer âmbito…

--As confrarias cacerenhas mantêm mais de 50 passos, muitos históricos, de grande valor ¿Acredita que se reconhece este mérito?

--Eu mesmo {empecé} a reconhecê-lo só/sozinho quando o {sufrí} em minhas carnes como irmão mais velho de Batalhas. Desde então {valoro} muito o trabalho das diretivas das irmandades. Temos de resolver situações que desde fora não se vêem. É um estreitamente impagável.

--¿&{lt};b&{gt};Qual é ‘esse momento’?

&{lt};/b&{gt};--Não posso escolher um, impossível, se calhar vários. Os inícios das procissões sempre me parecem extraordinários, pessoas tão diferente unidas por um mesmo sentimento: quando os irmãos da Vera Cruz esperamos formando os turnos de carga/carrega, quando sai Batalhas, quando sai Penitente, quando sai Jesús Condenado… Simplesmente temos de viverlo.