+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

Retirar a Cruz custaria de 20.000 a 30.000 euros, segundo os peritos

O monumento deverá ser retirado por ladrilhos, que logo terão que numerar-se e recolocar-se. A este custo teria que acrescentar-lhe o que suporia remodelar a praça/vaga de América após a retirada

 

Imagem aérea da praça/vaga de América de Cáceres, com a Cruz dos Mortos no centro. - EL PERIÓDICO

MIGUEL ÁNGEL MUÑOZ caceres@extremadura.elperiodico.com CÁCERES
12/03/2020

Surpreendente, mas certo. Nenhum perito dos consultados por este diário/jornal quer dar sua identidade. Tão espinhoso, tão polémico, tão erroneamente utilizado politicamente resulta este assunto que ninguém se expõe. Diante da simples pergunta de quanto custaria transferir a Cruz dos Mortos preferem ocultar seu nome. Embora sim fazem um cálculo: retirar-la da praça de América e levá-la ao cemitério suporia uma despesa para os cofres municipais de entre 20.000 a 30.000 euros.

A cifra parece a correta se tivermos em conta que em 2018 retirar a Cruz dos Mortos do Ribalta em Castellón custou uns 40.000 euros, embora a quantidade se dobrou porque acondicionar a zona supôs 40.000 mais. Evidentemente, em Cáceres esses 30.000 euros iriam a mais já que a retirada do monumento obrigaria indefectiblemente a remodelar a praça de América.

Precisamente no caso de Castellón foi Compromís o máximo impulsor da retirada, algo parecido ao que ocurreu em Cáceres, depois de que na segunda-feira passada o executivo de Pedro Sánchez respondesse a uma pergunta do senador desse jogo, Carlos Mulet, que se interessou pela manutenção do monólito na capital cacerenha. Foi nessa altura quando o governo central instou ao presidente da Câmara Municipal Luis Salaya a que fizesse cumprir a Lei de Memória Histórica.

Os peritos explicam que se a Cruz se demoliera, extremo que a Câmara Municipal não contempla, o custo seria inferior. Se se opta pelo transferência, deveria contratar-se a uma empresa que retirara a pedra peça a peça e as numerasse. As tarefas poderiam prolongar-se entre dois ou três dias. Logo teria que conduzir o material até ao cemitério para colocá-la de novo. Aí o custo final dependeria de como se construyera a estrutura, em betão, numa base metálica... A Cruz está construída com silhares de mármore e tem uma altura de 12,50 metros e uma secção de 0,80 metros. Os braços medem três metros, e quatro e meio o zócalo.

Foi o 10 de Maio de 1938 o dia em que Pilar Primo de Rivera, chefe nacional da Falange Espanhola e Tradicionalista das JONS, inaugurou o monólito que desde então não se tem movido da praça de América. Pilar, que era a irmã de José Antonio, foi nomeada pelo Câmara Municipal Hóspede de Honra de Cáceres. Chegou o 8 de Maio e permaneceu por aqui quatro dias mais.

Aquele 10 de Maio, às oito e meia da tarde, Pilar Primo de Rivera chegou à praça de América para assistir à inauguração. Não se fizeram convites pessoais e se consideraram convidadas todas as autoridades e representações oficiais, bem como o clero, capelães e «instituições religiosas que na hierarquia espiritual da Nova Espanha têm postos de honra nos atos da vida pública», dizia textualmente nosso jornal.

A cerimónia consistiu na inauguração do monumento por Pilar Primo de Rivera, bênção do mesmo pelo bispo e o oração de um responso, de joelhos e em voz alta, por todos os concorridos, «em memória dos cacerenhos mortos por Deus e pela pátria».

Rodeava nessa altura à Cruz um jardim de pensamentos e um acerado com quatro grandes postes de iluminação. No frontispicio, que mira ao passeio Cánovas e sobre/em relação a o basamento, com letras de bronze dourado, figurava uma inscrição, rodeada por uma coroa de laurel que dizia: ‘18 de Julho de 1936’. No outro frente, até a estrada de Mérida e também no basamento, se lia ‘Cumprimento a Franco; ¡Em cima Espanha!’. Ambas lenda foram posteriormente eliminadas.

ACORDO / PSOE, PP, Ciudadanos e Podemos deixaram claro seu apoio ao transferência da Cruz dos Mortos. Os quatro grupos se têm referido ao acordo de pleno que por unanimidade e sendo presidente da Câmara Municipal José María Saponi apoiou sem fissuras essa medida em 2004. O objetivo da decisão do nessa altura executivo popular era a remodelação da praça de América, levar o monólito ao cemitério e em seu lugar colocar um monumento à paz. Passaram os anos mas a medida não se levou a cabo; sempre foi esquivada pelos sucessivos regedores com conhecimento de causa da polémica que a mesma acarretava. Provavelmente será Luis Salaya quem não possa evitá-la após que os seus companheiros de filas em Madrid tenham recordado o que a Cruz supõe de exaltação à ditadura.

O presidente da Câmara Municipal recordou estes dias que a passada legislatura se chegou a encarregar um relatório no qual os peritos asseguravam que a Cruz dos Mortos «é um símbolo indubitavelmente franquista». Salaya disse que a sua intenção é o transferência, não a demolição, e que a opção que maneja como mais segura é levá-la ao cemitério, embora se essa falhasse se ofereceria à Igreja, ao tratar-se de um elemento religioso.

Desde que na segunda-feira saltou a notícia se mantém aberto o interrogante sobre se este tema deve ou não passar pelo plenário. A priori, Salaya entende que não, dado que já existe um acordo de plenário e, além disso, uma lei nacional e regional (a de Memória Histórica) exigem sua retirada. Isso sim, como provavelmente seja necessária uma modificação de crédito dado que o transferência requer um investimento, esta deverá passar por um plenário.