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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 3 de abril de 2020

Querida Amazónia

ANTONIO Pariente
09/03/2020

 

O Sínodo de bispos para a região Pan- Amazónica que reuniu-se em Roma de 6 a 27 de Outubro de 2019, tinha despertado nos ambientes eclesiásticos uma série de turbulências que foram arejadas a seu tempo pelos diferentes meios de comunicação. Estes faziam referência a que o papa aproveitaria a ocasião para facilitar o sacerdócio a pessoas casadas, e a admitir às mulheres para a realização duma série de tarefas até agora impensáveis.

O assunto chegou a tal extremo que os meios, grupos e pessoas mais integristas tinham começado a falar de um novo cisma na Igreja católica, se isto se produzia. Perante isto, esperávamos o documento que o papa ia  publicitar com o material dos trabalhos realizados em dito Sínodo.Nos primeiros dias de Fevereiro, deu-se a conhecer dito documento. É uma exortação apostólica pós-sinodal que leva o título “Querida Amazônia”. A mesma, possivelmente não tenha contentado, nem aos que esperavam gestos do Papa no sentido do que dissemos no primeiro parágrafo, nem aos que tinham preparadas as facas para predizer calamidades se isso se produzia. A verdade disto a tem o facto de que o documento tenha aparecido muito pouquinho na imprensa.É possível que entre as virtudes (que tem muitas) do papa esteja a prudência, e esta tenha sido a que o levou a escrever o que escreveu.

Aproveito para vos animar a ler o documento, são somente noventa e cinco páginas, mas que não têm desperdício. Apresenta o papa quatro sonhos que gostaria que fossem realidade nesta zona: sonho social, sonho cultural, sonho ecológico, sonho eclesiástica, nesta ordem. Os três primeiros som uma manifestação clarividente do que tem que fazer a Igreja, denúncia das injustiças, multinacionais opressoras, mesmo tem tempo (uma vez mais) para pedir perdão pelo que a Igreja fez mal desde o descobrimento, valorização da cultura do lugar, necessidade de assumi-la, condena da anti-ecologia que destrói espécies, animais e degrada às pessoas.

E no último dos capítulos, o sonho eclesiástico, Francisco fala da inculturação da Igreja, que é o mesmo que dizer que a Igreja tem que se encarnar na cultura dos povos onde realiza sua missão. Embora isto já o vem fazendo desde de São Pablo, é, sem dúvida, um bom conselho.

*Pároco de São Blas

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