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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 3 de abril de 2020

Orellana / Orelhana para {Vostell}

Após quarenta anos de muito ofício, criatividade e inovação, o museu recebe o maior/velho distintivo da cultura: a Medalha de Ouro de Mérito em belas Artes

LOLA LUCEÑO
09/03/2020

 

Um paisagem ancestral de água, natureza e céu como cenário do arte mais rebelde. Dois conceitos/pontos antagônicos, eternidade e revolução, que no entanto convivem na maior/velho harmonia. Só/sozinho um génio podia conceber semelhante fusão e esse génio se chamava {Wolf} {Vostell}, um dos artistas mais influentes da segunda metade do século XX. Foi uma figura fundamental do arte contemporânea de pós-guerra, descobridor da técnica do dê-{collage}, pai do {Happening} na Europa e {instaurador} e membro do movimento {Fluxus} e do videoarte. Deixou seu legado a Extremadura, a Cáceres, a um pequeno povo/vila como Malpartida de 4.000 habitantes que acaba de ser elevado aos altares do arte.

O Museu {Vostell} Malpartida receberá em breve a Medalha de Ouro de Mérito em belas Artes, que concede o Ministério de Cultura àquelas pessoas, corporações ou instituições que destacam por o seu trabalho. Foi concebido por este artista imprescindível em pintura, escultura, instalação, dança e inclusivamente publicidade, profundamente marcado pelos efeitos do Holocausto. «Foi no ano 1974 quando {Vostell} conhece o paragem de Os {Barruecos} e o declara de maneira imediata obra de arte da natureza. Imagina ali a inclusão de um projeto de vanguarda porque ali estavam seus dois âmbitos de referência: a arte e a vida», relata José Antonio Agúndez, diretor do Museu {Vostell} e apaixonado deste legado. «Trata-se de um paisagem eterno e no entanto cheio de processos: a luz, a água, o ar, a fauna ou a vegetação vão mudando, e essas expressões estavam muito ligadas aos movimentos de arte contemporânea com os que {Vostell} trabalhava», explica.

O artista ficou fascinado e pôs-se em contacto com a Câmara Municipal de Malpartida, que tinha adquirido o histórico edifício do tanque de {lanas} de Os {Barruecos} e o cedeu a {Vostell}. Começou a singular aventura de {Wolf} e a sua esposa Mercedes Guardado, escritora, co-fundadora e atual diretora artística do museu. «Se inaugurou em 1976, quando ainda não tínhamos Constituição nem Estatuto de Autonomia. Tinha muito poucos projetos de arte contemporânea em Espanha e esta iniciativa do casal {Vostell} foi absolutamente única, diferente, original...», recorda José Antonio Agúndez.

O desembarco de {Dalí}

Os primeiros anos registaram uma atividade frenética. Logo se produziu certa descontração. Foi a partir de 1988 quando coalhou definitivamente o museu, coincidindo com a instalação da peça ‘O cortina final de {Parsifal}’, concebida por Salvador {Dalí} por meio de uma composição de vinte {Sanglas}. Ambos acordaram realizar um intercâmbio e {Vostell} ofereceu ao Museu Gala/{Dalí} seu ‘{Obelisco} da televisão-depressão {endógena}’. Também naqueles momentos o museu ficou vinculado à Junta de Extremadura e se restaurou o edifício. Em 1989, a região foi pela primeira vez à feira Arco da mão do Museu {Vostell}.

«Falamos duma etapa de quarenta anos com muito ofício, muito estreitamente, com a vinculação das instituições e do povo/vila de Malpartida, com a chegada de numerosos artistas, colecionadoras, historiadores e professores em torno de {Vostell}... É um desses grandes projetos no que tudo conflui», sublinha o diretor.

Fruto desta intensa trajetória, o museu alberga três grandes coleções de arte contemporânea. A primeira, ‘Coleção {Wolf} e Mercedes Vostell’, acolhe a representação dos ciclos mais interessantes do fundador: pinturas, quadros-objetos, instalações, projetos escultóricos... A segunda, ‘Coleção {Fluxus}-Doação {Gino} Dei {Maggio}’, dada por este artista italiano, recolhe/expressa 230 obras de 31 artistas pioneiros do movimento {Fluxus}, no qual participou Vostell.

E a terceira, ‘Coleção de Artistas Concetuais’, engloba as criações de multiplas artistas de diferentes países que chegaram até Os {Barruecos} desde/a partir de princípios dos anos 70, com multiplas referências a diferentes movimentos.

Meio milhar de obras

Estas três coleções reúnem a mais de 100 artistas internacionais e somam 500 obras de arte, propriedade do património extremenho. A elas se une o Arquivo {Happening} Vostell, uma jóia documentário dos grandes projetos de Vostell, convertido em centro de investigação para estudiosos. Também destaca o Centro de Interpretação da Vias Pecuárias e História do Tanque de {Lanas}, sobre/em relação a a interessante história do recinto.

A oferta é ainda mais extensa, porque o museu completa seu conteúdo com atividades paralelas ao longo do ano, entre elas exposições individuais ou coletivas (por ali passaram por exemplo as obras de {Yoko} Ono), eventos de {performance} ou {Happening}, conferências, {simposiums}, congressos, videoarte e um ciclo muito consolidado de música contemporânea que começou faz 21 anos, cuja acolhimento foi realmente surpreendente e hoy conta com o apoio do Centro Nacional de Difusão da Música do Ministério de Cultura. Atrai público de todos os cantos do país, interessado em criações muito inovadoras rodeadas de natureza.

O museu regista 45.000 visitantes anuais, uma cifra elevada para tratar-se de um centro de arte contemporânea. «Gosta mais ou menos, mas não deixa indiferente a ninguém», afirma seu diretor. Tanto/golo é por isso lhe tem valido o maior/velho reconhecimento cultural que se concede no país. Vostell não poderá vê-lo, mas Mercedes será seu melhor testemunha.

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