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El Periódico Extremadura | Sábado, 15 de dezembro de 2018

«Na Paixão não sobra nada, se faz tudo com boa intenção»

LOLA LUCEÑO
11/03/2018

 

Irmão de carga/carrega, chefe de passagem, diretivo de diferentes irmandades, mordomo e inclusivamente presidente da União de Confrarias no período 2006-2010. Juan Narciso García-Plata o foi tudo na Páscoa cacerenha. Conciliador e afável, respeitoso com as tradições de seis séculos mas aberto a esse espírito jovem que tem refrescado a Paixão na última década, a este veterano confrade somente lhe faltava ser pregoeiro e fá-lo-á na próxima quinta-feira, 15 de Março, no Gran Teatro (20.00).

--Não há maior honra para um confrade...

--Depois de/após ter passado por todas essas responsabilidades e pela mais importante, que para mim consiste em ser irmão das confrarias, o facto/feito de que te nomeiem pregoeiro da Páscoa cacerenha supõe um reconhecimento, uma grande responsabilidade que te compromete a tentar fazê-lo o melhor possível.

--Mas não há tarefa mais complicada que sentar-se a redigir um pregão. Tantos anos, tantos pregoeiros, tantos confrades… ¿Como é possível inovar?

--Não me o apresentei como uma lição teológica, porque não sou quem para isso, nem tenho tratado de fazer nada novo, porque já tido muitos tipos de pregões e grandes pregoeiros com suas formas e estilos. Eu quero oferecer uma visão do que é a Páscoa a partir de minhas vivências como irmão, expressar meus sentimentos e transmiti-los ao resto de confrades, desde que era muito menino e ia com meu avô ao camarote da Comissão Prol Páscoa, até as experiências como irmão, mordomo, chefe de passagem..., e naturalmente também com as confrarias às que não pertenço.

&{lt};b&{gt};--Frequenta o ambiente confrade desde a infância... ¿Como mudou a Paixão cacerenha?&{lt};/b&{gt};

--Basta pegar/apanhar alguma das primeiras guias que se publicaram até os anos 80 e compará-las com as de hoje. A Páscoa mudou em tudo, no número de confrarias, na solenidade com que se tiram os passos (não quero dizer que antes se fizesse mau), na estatuária, na ornamentação, nas andores... O esforço das confrarias por consolidar o que vêm fazendo tem um reflexo visual evidente. Mas também mudou outra coisa mais importante: as irmandades passaram de ser grupos que viviam quase à margem da Igreja a ser ferramentas dentro da lavor/trabalho de {apostolado} da própria Igreja.

--¿Temos de corrigir o rumo?

--Temos de seguir/continuar com o trabalho de evangelização, nesse sentido as confrarias não devem corrigir nada. Mas em temas internos de funcionamento, acredito/acho que temos de centrar-nos mais em consolidar o que temos que em tentar inovar permanentemente. Chega um momento em que a Páscoa de Cáceres tem {empaque} suficiente para consolidar seus valores.

--Durante o seu mandato como presidente da União de Confrarias se criaram as duas irmandades de costaleros em Cáceres. Lhe trouxe muitos dores de cabeça, foi um momento especialmente complicado em sua longa trajetória confrade…

--A União de Confrarias não tem quadro normativo nem capacidade moral para consentir ou não consentir estas questões. É um órgão de coordenação, sem competência para entrar no ordem/disposição interno de nenhuma confraria e menos para quebrar a ilusão/motivação de grupos de jovens que queriam fazer novas irmandades. Se o próprio bispo os aprovou e animou, ¿Quem éramos nós para impedi-lo? Me levei desgostos com alguns diretivos de confrarias tradicionais que não entendiam que se pudesse consentir a criação de confrarias de costaleros. Eu não compreenderia nunca que o Penitente, a Dorida ou o Cristo de Calvario se levassem a {costal}, quebrariam a tradição, mas nos passos de nova criação é viável que queiram ter essa sinal de identidade. Hoje estou convencido de que têm enriquecido a Páscoa.

--De facto, a Paixão cacerenha encerra uma riqueza extraordinária. Temos os quatro {cristos} góticos mais antigos do país {procesionando} pelas ruas. Em seu conjunto/clube, nossos passos conformam a coleção de estatuária com mais história a suas costas ¿Acredita que os próprios cacerenhos sabem valorizá-lo?

--{Opino} que o valorizam mais aqueles que vêm de fora, especialmente doutras confrarias, mas isso passa um pouco/bocado em todos sítios porque na rotina do dia-a-dia as coisas não se valorizam. Temos tal variedade de formas, de estilos, de imagens e de {antigüedades} em nossas procissões que, juntamente com o centro histórico, fazem única a Paixão cacerenha.

--Neste ano, algumas confrarias têm racionalizado os percursos/percorridos para velar pelos irmãos. A ninguém se lhe escapa que muitos confrades se repartem entre diferentes irmandades e que as exigências vinham sendo elevadas...

--Sou partidário de que não é melhor flatulencia processual o que mais dura, mas o que está o tempo necessário para fazer o trabalho que tem que fazer, a {catequesis} na rua, nas zonas onde realmente faz sentido porque há público, e onde os próprios confrades vão realizando sua estação de penitência. Mas sair por sair mais horas ou a mais sítios não tem lógica, sobretudo porque muitos irmãos são de várias confrarias e porque a idade também vai pesando. Embora tenha substituições e jovens, temos de racionalizar os esforços.

--Gosta de seguir/continuar baixo/sob/debaixo de o passo, possivelmente seja onde mais cómodo se sente. ¿Sua vivência mais especial?

--Sempre o digo, trata-se de um momento de profunda reflexão com o Cristo del Amparo, cada ano, subindo os {adarves}, na madrugada do Terça-feira ao Quarta-feira Santo, quando apenas fica público no último troço da procissão, quando o silêncio é absoluto. Isso não se pode explicar, temos de viverlo.

--¿Que momento da Páscoa não se perderá nunca?

--Há muitos... Enquanto tenha forças {seguiré} indo de irmão de carga/carrega a essa estação de penitência profunda que fazemos com o Cristo del Amparo. Também não {faltaré} à saída e entrada do Cristo de los Estudiantes, onde sempre me {emociono} porque me traz lembranças de pessoas que já não está. E naturalmente à saída da Virgem da Esperanza, à que minha mulher e eu temos muito carinho.

--¿Que lhes falta às confrarias cacerenhas?

--Se calhar algumas devam aprofundar nessa lavor/trabalho de {apostolado} e evangelização, porque muitas vezes nos {quedamos} na procissão, os enfeites, as andores...

&{lt};b&{gt};--¿Que lhes sobra?&{lt};/b&{gt};

--Sobrar, não sobra nada, tudo se faz com boa intenção embora tenha erros, como em todos os coletivos.

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