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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 14 de dezembro de 2017

Un muito tormentoso Ricardo III

MIGUEL FRESNEDA Crítico teatral
19/06/2017

 

La veterana {Cía} Novembro, perita em obras de {Wiliam} {Shakespeare}, com a seu quinto montagem de dito autor inglês, baixo/sob/debaixo de a direção do qual criou e dirigiu a Jovem {Cía} Nacional de T. Clássico, Eduardo Vasco, tem sabido atualizar uma tortuosa história da Inglaterra medieval com a Guerra das duas Cor-de-rosa a uma época mais atual e com projeção universal, pois do {bardo} inglês sempre se aprende algo ao tocar eternas paixões humanas, como a ambição desmedida de poder/conseguir, diante da que não há travão algum, como lhe acontece a Ricardo III. O tempo histórico dá igual, sempre que o mova essa desmedida ambição de mandar, já seja um Hitler ou Alexandre Magno.

Este chateado e contrafacto/feito personagem com {escoliosis} severa foi um político eloquente, psicopata sedutor e cruel assassino, sem moral alguma, professor da aparência, que foi {genialmente} interpretado pelo veterano {Arturo} {Querejeta}, com uma prodigiosa voz que intimidava e um alarde de expressão corporal encomiável: ávido de poder/conseguir foi urdindo multiplos assassinatos, mesmo de meninos, até cingir-se a coroa-real ; mas alguns cortesões fogem e se {conjuran} até derrotar-lhe na batalha de {Bosworth}.

La interpretação dos 10 restantes {actuantes}, foi meritória, já que se desdobram e movem com uma meteórica agilidade , com a ajuda de um variado e rico balneário de design moderno, a cargo de Lorenzo Caprile. Usam uma grande variedade de tons, segundo seus respetivos e mudáveis personagens: desde um tom jactancioso ou {retador} a outro mais {cortés} ou mesmo ameaçante, salientando assim uma intensidade emotiva, que te aprisiona o coração quase tudo o tempo, embora tenha algum ponto cómico ou irónico, fruto do cinismo do protagonista.

Para salientar os geniais diálogos {shakespirianos}, a cenografia é realmente sóbria: só/sozinho uma meia dúzia de baús, que vão mudando de localização e funcionalidade: passando de servir de caixão, armário roupeiro, um parapeito/peitilho a trono régio. Destaca um simples e movível piano no qual tocam diversos músicos para acentuar o presságio dos vários momentos fatais ou para acompanhar alguma honra fúnebre e também para harmonizar alguns cantos que prodigalizam os dez atores bem alinhados e em primeiro plano: “este mundo está do revés, põem a cabeça onde devem estar os pés”, repetem uma e outra vez, a modo de impactante {ritornelo}.

Numa noite tormentosa nos apanhou esta não menos tormentosa corte que nos teve em {vilo}, graças à admirável palavra do {bardo} inglês bem interpretada, sobriamente montada e atualizada cuidadosamente por uns muito peritos {actuantes}, aos que o comprazido público lhes rendeu uma cálida ovação final.

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