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El Periódico Extremadura | Domingo, 8 de dezembro de 2019

A mina recorda as suas mulheres

O encontro anual que realiza a Associação Minas de Aldea Moret tem dedicado a sua oitava edição ao reconhecimento às viúvas, por meio de diversos atos e duma entranhável gala, ontem, no Gran Teatro

LOLA LUCEÑO
02/12/2019

 

Isabel Rodríguez se comove quando fala das minas. Chegou ao bairro mais industrial da Extremadura com só 6 anos, quando o seu pai conseguiu um posto no jazida. Felizmente passou pouco tempo ‘abaixo’, nas galerias, porque cedo foi encarregado de carregar as vagonetas com o material que extraíam das profundidades. Isabel deixou a casa familiar na mina Casualidade para casar com Florentino Lubián, e ambos teriam quatro filhos no povoado mineiro. Também era empregada da mina, neste caso jardineiro da casa de dom Jaime, diretor da exploração. Quando fechou a jazida destinaram-lhes a Huelva, mas a família guarda um amor infinito pelo bairro. Uma das suas filhas regressou só para casar no lugar que a viu nascer.

Isabel é uma das milhares de mulheres da mina que têm ligado sua história à mesma, e que ontem foram homenageadas. Eles desciam aos poços, com sorte trabalhavam em superfície, mas sempre em tarefas duras, muitas perigosas. Elas não faziam menos: ficavam ao cuidado das famílias dia e noite, esticando os contados recursos, e a miúdo realizavam outras tarefas para dar uma ajuda aos lares.

Por tudo isso, o encontro anual que realiza a Associação Minas de Aldea Moret (AMAM), e que celebrou este fim-de-semana a sua oitava edição, se tem dedicado a reconhecer o trabalho daquelas mulheres da mina. «Eram nossas mães, são nossas mulheres, se não fora por elas, não seríamos nada», declarou Eugenio Cantero, um dos fundadores do coletivo. O encontro voltou a congregar neste ano a famílias chegadas de Madrid, País Basco, Andaluzia ou Catalunha, coincidindo com a festividade da patrona dos mineiros, Santa Bárbara. À jantar de irmandade foram no sábado mais de um centenar de pessoas.

O XV Festival Flamenco das Minas foi o ato central, ontem à tarde no Gran Teatro, onde se homenageou às viúvas de vários mineiros, que receberam uma estatueta comemorativa: Catalina Igrejas (esposa de José Alba), Aurora Barrantes Antonio Cebrián, Dorotea Ramiro (Pedro Díaz) e Isabel Rodríguez (Florentino Lubián). Estiveram apoiadas pelas vozes das cantoras Raquel Cantero, A Kaíta e Tamara Alegre, com Rodrigo Fernández e O Pira (ao toque), e Fuensanta Blanco e seu grupo de dança.

De manhã teve lugar o tradicional pequeno-almoço e a Homenagem ao Mineiro, diante da estátua que recorda àqueles homens que desciam cada dia ao Calerizo. A Associação Cultural de Folclore Aldea Moret pôs voz a entranháveis canções sobre a mina. O encontro concluiu com missa e procissão de Santa Bárbara.

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