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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 21 de septembro de 2018

La história detrás do atropelamento da professora do Paideuterion

La mulher, que esteve vários dias em coma, necessita cadeira de rodas para deslocar-se e ajuda diária. Numa jornada sobre/em relação a dano cerebral sobrevindo, o seu marido conta as dificuldades após o acidente e as barreiras arquitetónicas da cidade

CARMEN HERNÁNDEZ MANCHA
13/06/2018

 

En os últimos anos se tem falado muito dos atropelamentos na avenida da Hispanidade. Neste tempo, uma jovem morreu esmagada por um carro e pelo menos outros três peões sofreram feridas graves. Um deles era a mulher de José Antonio García Encinas. Ela tinha 53 anos no momento do atropelamento, dois corridas/cursos universitárias, trabalhava como professora na escola Paideuterion e, praticamente, média/meia vida pela frente/por diante. Seu acidente ocupou durante vários dias as páginas da imprensa local, que informaram da gravidade de seu estado de saúde. O incidente provocou que a Câmara Municipal limitasse a velocidade nesta avenida, ponto negro do trânsito da cidade. Logo, sua história deixou de ser notícia; mas sua vida continuou e, desde então, é uma pessoa dependente, não pode falar e necessita uma cadeira de rodas para deslocar-se.

O atropelamento não somente lhe mudou a vida a ela, também a sua família, especialmente a o seu marido. José Antonio contava ontem sua experiência na jornada de Reabilitação em dano cerebral sobrevindo organizada pela empresa de serviços sociais Grupo 5 na Casa de la Mujer de Cáceres. Ao longo/comprido de toda a amanhã, peritos no tema analisavam as causas e, sobretudo, as consequências deste tipo de danos, produzidos após sofrer um ictus ou um acidente com consequências neurológicas. E nisto, os familiares como José Antonio, têm muito que dizer. La sua foi uma queixa que não por cem vezes repetida deixa de ter força, «em Cáceres não se pode transitar em cadeira de rodas, não falo já da parte antiga, mas do mesmo Cánovas», contava, com uma mistura de resignação e de raiva na voz.

Desde que sua mulher sofreu o atropelamento, faz agora quatro anos, dedica grande parte de sua vida a cuidá-la. Todas as tardes, «salvo que esteja chovendo torrencialmente», afirma José Antonio, sai com ela de passeio, num caminho cheio de obstáculos, mesmo nos passos de peões, «o dos Multiplas, complicado, o do semáforo da Cruz, igual». Um pequeno meio-fio, de tão só cinco centímetros, pode resultar uma barreira {insalvable} para uma cadeira de rodas mecanizada. As que não os estão, dependem da força e a habilidade do cuidador que a leve. «Dizem que Cáceres tem um prémio de acessibilidade, pois a mim que me o expliquem», exclama José Antonio. Para ele, e provavelmente para muitas pessoas em sua situação, a cidade é «intransitável».

Engenheiro de profissão e autónomo/trabalhador independente, tem que conciliar seu trabalho com os cuidados a sua mulher, «dependente desde a amanhã à noite», explica. Conta com a ajuda duma cuidadora que, afirma, já é como da família. Embora reconhece o trabalho e o trato «delicioso» recebido no hospital e, em geral, pelo pessoal sanitário e social após o acidente, se queixa do vazio que vem depois, «as terapias, a logopedia, o fisioterapeuta, tudo é dinheiro, se se quebra a roda duma bicicleta, arranjá-la subida 20 vinte euros, se é a da cadeira de rodas, 150; uma bicicleta estática para que faça exercício, em segunda mão, me subida 1.000, de primeira, mais de 3.000», relata. José Antonio afirma, «eu o posso pagar, mas, ¿que faz outra pessoa que esteja em minha situação e não possa? ¿La sinta/senta diante de a televisão todo o dia e lhe dá de comer?», pergunta.

As ajudas, assegura José Antonio, «vão» em tratamentos e pagamento de cuidadores, «deveria ter mais para quem não se o possa permitir», afirma. Também aponta às dificuldades de estar ao cargo duma pessoa dependente quando ainda se está no mercado laboral, «ou {trabajas} ou {cuidas}», fazer ambas coisas ao mesmo tempo requer de um esforço pessoal e económico titânico, «eu sou autónomo/trabalhador independente, não me posso reformar».

Rotina

Desde há quatro anos, seu dia-a-dia consiste em comer com a sua mulher e sair à tarde a dar um passeio. Suas multiplas queixas na Câmara Municipal cacerenha surtiram efeito e a câmara municipal arranjou a passeio/calçada direito da rua onde vivem, Ronda do Carmen, algo que agradece de coração, «porque mas não poderíamos nem sair de casa».

No entanto, não entende porquê não se acometem obras similares por toda a cidade, para facilitar às pessoas em cadeira de rodas sua mobilidade. Lancis, degraus, diferentes níveis de um lado a outro da rua que para qualquer viandante passam inadvertidos e que impedem, como se de falhas se tratasse, o passo das pessoas com mobilidade reduzida. José Antonio e sua mulher têm que fazer, quase sempre, o mesmo passeio, o que lhes permitem as passeios, «¿não temos dinheiro para {echar} cimento nas passeios para retirar os lancis?», se pergunta. Isso sem falar do {incivismo}, como as pessoas que estacionam nos passos de peões e impedem o passo às cadeiras de rodas.

José Antonio tinha todos estes temas apontados para tratá-los na mesa de debate na qual participava ontem, intitulada ‘En primeira pessoa. {Miramos} e {escuchamos} as vozes da experiência’. La sua, sem dúvida, é dura e ao ouvir-la é inevitável perguntar-se, ¿e quem cuida aos cuidadores? «O cuidador cuida ao cuidador» afirma José Antonio, «pelo menos em meu caso. Meus filhos, que vivem fora, chamam uma, dois, quatro vezes ao dia, mas no fim, é ter as costas muito {anchas}», conclui.

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