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El Periódico Extremadura | Domingo, 17 de novembro de 2019

«Entre a cara de Franco e a Cruz de los Caídos não há diferença»

GEMA GUERRA
08/11/2019

 

César Rina (Cáceres, 1986) leva toda a sua vida académica estudando a simbologia franquista. O cacerenho é licenciado em História pela Universidade de Extremadura é Doctor internacional em História Contemporânea na Universidade de Navarra e agora professor da Universidad de Extremadura. Escreveuo livro A construção da memória franquistas em Cáceres. Heróis, espaço e tempo para um novo estado, 1936-1942 e foi um dos quatro peritos escolhidos para a comissão encarregada de catalogar os vestígios franquistas em Cáceres.

Em relação a essa lista elaborada pela comissão à que ele pertence comprometeu-se a anterior corporação municipal a aplicar a Lei de Memória Histórica mas o avanço foi nulo. Neste último ano foi a Associação Memorial no Cemitério de Cáceres (Amececa) a que insistiu aos candidatos à Câmara Municipal, agora com governo do PSOE, e esta última semana se tem dirigido à Junta de Extremadura para pedir que se iniciem trâmites e se retirem símbolos do Franquismo, entre eles a «controversa» Cruz de los Caídos. Neste caso, a área de Património não se pronuncia e a Conselheria de Cultura assegura que não dará nenhum passo até acordá-lo com a câmara municipal. E enquanto, a polémica também se transfere à rua, entre os que apostam em retirar-la e os que advogam por mantê-la porque transcende à época na qual se construiu.

Para o historiador não cabe dúvida de que a cruz deve fazer parte do catálogo de vestígios. «É inquestionável que a cruz foi o grande símbolo do levantamento, não é um símbolo de reconciliação mas bem pelo contrário», defende. Nesse sentido sustenta que na comissão teve «unamimidade» na hora de incluir o monólito na lista. «Nós não somos juízes, somos historiadores, nos nomeou a Câmara Municipal, eu não pertenço a nenhum partido». Deixa claro também que sua função na comissão «não foi propor mudanças nem apresentar alternativas mas assinalar aqueles elementos franquistas». A fórmula de trabalho  tem-se baseado em reuniões periódicas e como base tomaram seu livro e atas e textos de jornais locais. «Apanhamos o da rua e pusemo-nos a procurar». Aponta, nesse sentido, que em alguns casos resultou difícil determinar que elementos deviam incluir-se «porque a história não é linear». Um dos casos que menciona é a avenida geral Primo de Rivera. «É certo que foi prefranquista mas a rua se a põem nos anos 40, é uma homenagem franquista».

A que não admite discussão é a Cruz de los Caídos. «Em termos historiográficos não há dúvida de que é um vestígio». «Foi um signo criado para exaltar o regime, não tem nada a ver com a religião, é o grande símbolo da vitória e da ideia de cruzada, entre uma cara de Franco e uma cruz dos caídos não há diferença». Precisamente, foi por esse motivo que durante o Franquismo estes monólitos forom repartidos por toda a geografia e na Transição foram desaparecendo. «No 77 foram retirados porque eram símbolos do regime, em Espanha ficarão um 2% ou 3%, de facto os nostálgicos a têm continuado a  entender como um símbolo para lembrar a Franco». Cabe {relembrar que faz umas semanas e por ocasião da exumação do ditador o monumento amanheceu com um ramo de flores.

Em relação aos que defendem a continuidade do monólito na cidade e aludem a que sua presença transcende ao que representava num primeiro momento, Rina expõe que «defender um símbolo franquista em nome da tradição é um erro». «Custam-me acreditar que para muitas pessoas seja um símbolo identitário da cidade, o santuário da Montanha é um símbolo, a praça/ Maior é outro, mas neste caso mais que uma defesa do imaginário público prima o interesse por normalizar o passado».

Desde o seu ponto de vista, a única polémica que apresenta o historiador em relação ao futuro da cruz se finalmente se retira é «que fazer com ela?». Nesse sentido, sustenta que a proposta que se apresenta de transferi-la ao cemitério «seria pior» porque lhe daria um lugar solene. Em qualquer caso, conclui que «não é uma obra de arte nem tem valor patrimonial, é um modelo copiado cidade por cidade».

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