Menú

El Periódico Extremadura | Quarta-Feira, 26 de septembro de 2018

¿E agora que fazemos com Maltravieso?

Desde Primeiros Povoadores propõem um centro de conhecimento e que seja Espaço Cultural Europeu. A Junta renovará o centro divulgador e Nevado chama a unir forças para pôr o achado em valor

LOLA LUCEÑO
11/03/2018

 

Cáceres conserva a primeira manifestação de arte rupestre de tudo o planeta. Trata-se de uma mão grafíti em negativo na gruta de Maltravieso, cujo análise com o método Urânio-{Torio} acaba de atrasar seu {datación} até os 66.700 anos de antiguidade, o que além disso implica que foi realizada pelo homem de {Neandertal}, toda uma revolução nos esquemas pré-históricos. Este recente estudo acometido por especialistas de diferentes países é só/sozinho o início. Em Maltravieso há 71 pinturas e no resto do {Calerizo} dois grutas mais habitadas pelo homem desde a mais remota antiguidade (caso de Santa Ana). Cáceres tem um património que pode e deve divulgar-se. Outros jazidas arqueológicas já o fazem, e não possuem a primeira pegada/marca artística do homem.

Abrir Maltravieso às visitas do público se antoja bastante difícil. De facto, a conselheira de Igualdade e Cultura da Junta de Extremadura, {Leire} Igrejas, afirmou, nada mais conhecer-se a nova {datación}, que «não se permitirá o acesso à cavidade porque há risco de que pudesse danificar-se seu conteúdo». De facto, Maltravieso nunca esteve aberta ao público e inclusivamente se fechou aos investigadores faz dez anos.

Questionada de novo por este diário/jornal, a Conselheria de Cultura acaba de responder que «o {Calerizo} engloba diferentes âmbitos de atuação onde, ao longo/comprido dos anos, se têm vindo desenvolvendo atuações em diferentes pontos. O facto/feito de que se siga/continue investigando dependerá da iniciativa dos equipas de investigação e os projetos apresentados, que deverão ser visados pela Direção Geral de Património».

Hoje, acrescenta a conselheria em sua resposta, se trabalha com o relatório/informe duma comissão de peritos «no qual se argumenta que o facto/feito de ser feito escavações invasivas na gruta de Maltravieso não é compatível com a conservação do arte rupestre que contém». Portanto, difícil para os investigadores, impossível para o público.

Não obstante, a Junta sim está valorizando «diferentes ações» para dar um «novo impulso» ao Centro de Interpretação de Maltravieso, «a partir do inovador e importante descobrimento que muda o paradigma existente até agora no estudo da evolução humana e a capacidade de {abstracción} do {Neandertal}». O primeiro passo será atualizar a informação dos painéis, audiovisuais e materiais informativos do Centro de Interpretação que se encontra junto à gruta cacerenha, «para que recolham os novos contidos e a relevância que lhe dá o estudo publicado em ‘{Science}’, e assim facilitem sua difusão», matiza/precisa.

Não seria o primeiro espaço de divulgação arqueológica com bem-sucedidas visitas. Desde vários sectores já se pede uma réplica de Maltravieso em seu centro de interpretação, a modo de {Altamira}.

«ALGO ÚNICO» / A própria presidenta da Câmara Municipal de Cáceres tem chamado à unidade de ação após um descobrimento tão extraordinário. Elena Nevado afirma que a nova {datación} supõe «um salto qualitativo na importância do {Calerizo} cacerenho, já importante de per si, mas que agora tornou-se em algo único». Por esse motivo, «o repto/objetivo que devem ter as administrações é pôr em valor estes restos e fazer de Cáceres uma referência no estudo e a investigação desse período, para além de ser um atrativo mais para o turismo em Cáceres», sublinha.

Nevado tem incidido em que é necessário que as administrações unam esforços nas «coisas importantes», como o achado de Maltravieso. «Todas as administrações temos que pôr tudo o que esteja em nossa mão para obter a maior rentabilidade social deste descobrimento, que redundará em Cáceres e na Extremadura, algo no que coincidem tanto/golo a Junta como a Câmara Municipal», destaca.

Concretamente, a presidenta da Câmara Municipal considera necessário «potenciar o centro de interpretação existente», atualizandolo com os novos conhecimentos e abrindo mais possibilidades como visitas virtuais, de modo que se converta «em lugar de referência para os visitantes, mas também para os investigadores, vinculado a tudo o {Calerizo}».

Por seu lado, a equipa Primeiros Povoadores da Extremadura conhece o {Calerizo} como a {palma} de sua mão. O investigador Antoni Canals, {codirector} deste projeto, leva vinte anos estudando o complexo arqueológico cacerenho. Tem uma ideia muito clara do que se deveria fazer após o marco da {datación} da mão de Maltravieso, e além disso conta com a experiência direta de {Atapuerca} e de outros jazidas nos que também investiga.

«Teria que declarar o {Calerizo} como Espaço Cultural Europeu, protegendo todos e cada um das jazidas, os atuais e os {futuribles}, bem como seu estrutura física e ecológica», afirma. Também «teria que dinamizar tudo o património pré-histórico, desde o que já conhecemos até outras jazidas que estão na periferia e que são muito importantes. Formam um conjunto/clube excecional», sublinha. No seu entender, o conceito/ponto de Património da Humanidade deveria fazer-se extensivo a este singular património pré-histórico.

Mas sobre/em relação a, tudo, Canals advoga pela criação do Centro de Conhecimento do {Calerizo}, que seria um espaço de investigação, divulgação e promoção das escavações, com a história natural e cultural do enclave, «um centro dinâmico sobre/em relação a a geologia, a hidrogeologia, a água, a pré-história, a tecnologia..., tudo aquilo que fez que este lugar tenha chegado a ser o que é». Porque Canals recorda que a história da cidade de Cáceres como estrutura urbana começou na gruta do Conejar, quando os homens deixaram de ser caçadores-{recolectores} para estabelecer-se no terreno aproveitando os recursos do {Calerizo}.

Também desde a Associação de Guias-Historiadores da Extremadura mostram sua satisfação por isto achados de relevância histórica. Sustentam que o que temos de fazer em primeiro lugar, «como absoluta prioridade», é conservar Maltravieso, e em segundo, se é possível, favorecer sua investigação através de científicos/cientistas especializados. Por último, consideram que a gruta somente poderia abrir-se ao público se tivesse garantias para a cavidade e consenso de todas as partes.

Se não fosse possível, apelam ao exemplo de {Altamira} «para criar uma réplica com as mesmas texturas, cheiros e tonalidades de Maltravieso», indica Carlos Marín, membro desta associação, que teve a sorte de trabalhamos/trabalhámos na gruta com Primeiros Povoadores. «O ambiente interior, o oxigénio, a luminosidade..., foi impressionante», recorda, muito satisfeito de que a cavidade «esteja agora no montra mundial».

DESDE O CLUSTER / O presidente do Cluster de Turismo da Extremadura, Jesús Viñuales, afirma que Maltravieso tornou-se num «estandarte de reconhecimento internacional». «¿Mas como o pomos em valor?», se pergunta. E este sentido apela ao modelo de exploração da gruta da {Pasiega}, na Cordilheira Cantábrica, somente aberta à comunidade cientista e com algumas visitas anuais para o público. Se não fora possível, Viñuales aposta numa réplica de Maltravieso em seu próprio centro de interpretação, «a fim de promover este grande valor pré-histórico».

Recorda que Cáceres e Extremadura foram as «grandes desconhecidas», e espera que com Maltravieso não aconteça o mesmo. «Podemos desenhar o modelo de turismo que queiramos a um prazo de 15-20 anos, os dados de chegada de visitantes à região são fantásticos, temos de seguir/continuar assim porque este sector resulta chave para o emprego e para evitar o despovoamento», adverte.

Também se manifestou em relação o diretor do hotel {Hospes} Palácio de Areais, Jorge Sánchez, que faz especial finca-pé na necessidade de divulgar os achados de Maltravieso em revistas especializadas e no sector da arqueologia para atrair à comunidade cientista, para além de atualizar o Centro de Interpretação de Maltravieso com contidos renovados.

As notícias mais...