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Da Espanha esvaziada à Espanha saturada

O fotógrafo cacerenho Genín Andrada acaba de editar o livro ‘Madrid, passarela de labirintos’, 115 imagens com textos de Julio Llamazares onde reflete sobre a superpopulação nas grandes urbes

 

No metro 8 As pessoas deambula por Madrid. - CEDIDA POR {GENÍN} ANDRADA

Robotizados 8 La amêndoa de Madrid se converte em cenário. - CEDIDA POR {GENÍN} ANDRADA

MIGUEL ÁNGEL MUÑOZ
04/02/2020

Em pleno debate sobre a Espanha vazia, essa que está a matar aos povos, o fotógrafo Genín Andrada (Cáceres, 1963), de dilatada carreira profissional, põe sobre a mesa outro debate que até agora passava inadvertido, o da Espanha saturada. Com o título ‘Madrid, passarela de labirintos’, o artista acaba de editar um livro com textos de Julio Llamazares que ilustram as 115 instantâneas que põem o objetivo na superpopulação que castiga às grandes urbes.

Nas suas imagens, o autor reflete a falta de identidade, a solidão, gentes que deambulam desorientadas, em massa, protagonistas deste mudança de era na qual tudo é uma conexão que nos avisa da chegada do metro, do autocarro, que nos vicía ao telemóvel mas que faz despistar-nos do mundo em que vivemos.

Andrada encontrou a inspiração nos personagens de ‘Metrópolis’, o filme de Fritz Lang, de 1927, que já falava do homem robô e {transhumanoide}. «São fotos da olhar perdido, que fica deslumbrada, congelada pelas luzes de flashes, radiotransmissores e refletores», explica o fotógrafo.

Realizadas no centro de Madrid, o projeto não descarta caminhar a outras cidades do país também afetadas por esta epidemia. Por enquanto, o cenário está em Sol, Gran Vía, o Bairro das Letras e muito Chueca.

La amêndoa madrilena se condensa neste estreitamente. «São pessoas de um Madrid muito diferente ao que eu vivi quando cheguei em 1989. Agora existe diversidade. La cidade tem um registo de tons que mostram todas as tonalidades de pele. La diversidade era antes as pessoas que viajávamos de províncias a ganhar-nos a vida. Agora chegam pessoas de todas as raças e isso nos faz ser um mundo mais interessante».

Mas o livro tem a ver também com a crise existencial do ser humano apanhado num mundo tecnológico. «Até as paixões estão robotizadas. É algo parecido a abrir uma porta detrás de a que tudo vai a tanta velocidade que passado amanhã não saberemos em que parâmetros nos encontramos».

Genín Andrada nos mostra uma sociedade mudável e rápida na qual a tecnologia também faz parte dessa velocidade. Pensávamos que isto era a modernidade, e no entanto nos converteu em máquinas.

Detrás de tudo isto subjaz um problema dobro: as povoações se esvaziam e as cidades se enchem. Emigrantes, temporárias, estudantes, todos querem viver na urbe onde não há suficientes professores nem suficientes médicos nem suficientes serviços para atender a tanta pessoas. Situação crónica, com risco de voltar-se eterna, que a câmara de Genín Andrada capta de forma magistral.