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El Periódico Extremadura | Terça-Feira, 19 de junho de 2018

Vazio

JUAN MANUEL Cardoso
09/01/2018

 

De vez em quando, me interisso pela atualidade. Não demasiado, porque as notícias já não são o que eram e há um excesso de {postureo}, de invólucro fétido e de locuaz {sinsentido} que dá a sensação de que, em vez de notícias, recebemos encomendas, enfiadas ou instruções. Por não falar dos discursos {hueros} ou as {bobadas} a {tutiplén} que, fundamentalmente, fazem parte do argumentário do {politiqués} e do {tertulianés}, geniais criações de Amando de Miguel e Antonio Burgos. Essa capacidade que têm políticos e comentadores para falar de tudo sem dizer nada. ¿Têm ouvido alguma vez a algum político bater palmas, apoiar ou seguir/continuar alguma proposta, ideia ou projeto de outro político que pertença a um jogo/partido diferente ao seu? ¿Têm ouvido alguma vez a algum comentador que fale de algo que não seja política ou os políticos, que reconheça desconhecer parte ou o tudo duma questão ou que dê uma solução para além de os lugares comuns de suas afinidades ideológicas, partidaristas, pessoais ou empresariais? ¿Têm ouvido com atenção a um responsável político falar, se têm fixado bem na construção de suas frases, na vacuidade de seu discurso, no repetitivo de suas expressões, no limitado que são seus recursos para falar claro? ¿Têm ouvido a um comentador pontificar, falar como se a verdade lhes pertencesse? O empobrecimento da sociedade se deve a muitas circunstâncias, mas, provavelmente, a mais terrível de todas elas seja nossa incapacidade para entender-nos. Estamos condenados a acreditar/achar só/sozinho no que acreditamos nós, nosso clã, nossa seita, nosso jogo/partido. Fora de esse círculo vicioso de insensatez e servidão, {coloreamos} de caos o ar fresco e {vendemos} como cadeias a liberdade. Não temos de ir muito longe no Idealista, só/sozinho no primeiro capítulo: as {intrincadas} razões de {Feliciano} de Silva que lhe pareciam {perlas}: «a razão da {sinrazón} que a minha razão se faz, de tal maneira minha razão {enflaquece}, que com razão me {quejo} da vossa {fermosura}… os altos céus que de vossa divindade divinamente com as estrelas se {fortifican}, e vos fazem merecedora do merecimento que merece a vossa grandeza». ¿Há algo mais vazio que as palavras de um tagarela?

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