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El Periódico Extremadura | Sábado, 23 de septembro de 2017

A propósito de um contínuo

MANUEL GARCÍA TORRADO Director del CEIP Arias Montano
12/09/2017

 

Os tempos mudam que é uma barbaridade», diz dom {Hilarión} na famosa {zarzuela} A verbena da pomba. Razão não lhe faltava. Mais de atualidade não pode estar a frase, nesta turbilhão de mudanças sociais na qual nos tenhamos imersos. E o que nos fica por conhecer. O que hoje se considera do mais normal/simples em nossa sociedade, faz uns anos -não muitos- teria resultado impensável de imaginar. Hoy falamos de conciliação da vida familiar e laboral, de rendimento mínimo, de ajudas à dependência, da necessidade de um comboio digno que nos leve a Madrid em pouco/bocado mais de duas horas, de transparência nas instituições democráticas e de mil coisas mais.

Aterrando em matéria educativa, desde há um tempo a esta parte temos começado a falar de salas de aula matinais, comilões escolares -mas não para o os alunos que vive no campo e vai e vem todos os dias como era antes, mas para o os alunos cujos dois progenitores trabalham e seu horário laboral não coincide com o escolar-, de ardósias digitais, de gratuidade de livros de texto, de atividades formativas complementares em horário de tarde, de inteligência emotiva, de robótica… Um sem-fim de termos novos que faz um par de décadas eram impensáveis.

Os tempos mudam e os cidadãos exigem serviços em função dos mudanças sociais que vão produzindo. É algo que, a todas luzes, parece lógico. Uns subida mais consegui-los, outros menos, mas aos poucos, ditos serviços vão adequando ao ritmo dos novos tempos.

Há, por outro lado, outros usos e costumes que têm ido desaparecendo no âmbito educativo com a passagem do tempo: a lista dos reis {godos}, a memorização pura e dura do programa, as classes à tarde -pelo menos, aqui, na Extremadura-, o uso e abuso da palmatória, as classes de manutenção -que recordarão os que já passámos dos cinquenta- e um longo/comprido etc. Mas também há coisas que se mantêm no tempo: os professores-ás, os livros em papel -embora não sabemos por quanto tempo-, os deveres -a debate na atualidade- e os contínuos nos centros educativos. Porque sim, teve e há contínuos nos centros educativos. São uma realidade: em todos os centros públicos de Ensino secundário e em muitos centros públicos de Infantil e Primária da nossa região existe a figura do contínuo. E realiza uma lavor/trabalho essencial de apoio ao bom funcionamento dos centros, cujas funções seria prolixo enumerar aqui, mas que podem estar na mente de qualquer.

Logo, se existem e, sobretudo, se na etapa Ensino secundário não se discute sua presença nos institutos -nos que podemos encontrar desde dois até quatro contínuos dependendo do tamanho e do horário do centro-, será porque são necessários. Não parece razoável que a Administração Educativa esteja pagando alegremente uns ordenados que poderia evitar-se se não tivesse necessidade deles, e mais nos tempos de crise e cortes que correm, que se aproveita qualquer circunstância para meter a tesoura em questão de pessoal.

Pois se são necessários na etapa Ensino secundário -com suas características particulares no {tocante} a os alunos, professorado e estrutura académica-, a ver quem pode esgrimir argumentos o suficientemente sólidos e de peso para demonstrar que na etapa de Infantil e Primária -também com suas características e idiossincrasia particulares- não são necessários. É mais, a ver quem e como se explica que num centro de Ensino secundário de grande envergadura quanto a os alunos existam quatro contínuos -e mais- e num similar de Infantil e Primária se nos retire ao único do qual dispunhamos.

Isto é exatamente o que está a acontecer no {CEIP} Arias Montano de Badajoz, que com 700 alunos-ás, se nos pretende impor que nos «{apañemos}» sem a única contínuo que tínhamos -porque de pessoal de administração também não dispomos, naturalmente-. ¿Não se limitará tudo a uma questão de competências em matéria de contínuos? ¿Não será que quem tem a competência de dotar de contínuos aos centros de Ensino secundário não é a mesma instituição que à que lhe corresponde dotar de dita figura aos centros de Infantil e Primária? Vai ser isso: uma questão de competências em matéria de pessoal não docente e, nomeadamente, em matéria de contínuos.

À margem de quem tenha a competência neste tipo de pessoal, a realidade, {tozuda}, dice-nos que sua figura é necessária nos centros educativos, e que nem o professorado, nem o os alunos, nem suas famílias devemos entender de competências de diferentes Administrações Públicas. As comunidades educativas dos centros públicos de Infantil e Primária somente entendemos que necessitamos a presença de um contínuo que realize umas funções que são indispensáveis para oferecer uma atenção e uns serviços de qualidade. E por isso {demandamos} e {exigimos} que assim seja. ¿Parece uma reivindicação justa, não? E não parecem válidos os argumentos, por {falaces}, de que a figura do contínuo desaparece porque, como total já somente ficavam três centros na cidade de Badajoz com contínuo, pois não podiam continuar com esse privilégio. ¿E não seria mais lógico e de mais altura de miras dar a volta ao argumento e dizer que, como somente ficavam contínuos em três colégios públicas, se pensou ir dotando lentamente/pouco a pouco ao resto de centros dessa figura priorizando sua dotação em função de suas necessidades, características e volume de os alunos? Pareceria coerente que assim fora. Se vislumbraria uma certa sensibilidade pela defesa do ensino pública da nossa cidade em matéria de recursos pessoais para as escolas. Nunca é tarde para retificar. Não {perdamos} a esperança.

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