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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 3 de abril de 2020

{Oxímoron}

JUAN MANUEL Cardoso
10/03/2020

 

O {oxímoron} é uma figura retórica onde se combinam, numa mesma estrutura sintática, dois palavras ou expressões de significado oposto, originando um novo sentido. Pode parecer complexo, mas a Espanha de hoy é assim. Da contradição e os contrários, nasce um novo país. {Obsérvese} que não digo Espanha, em dissolução. Um país onde o sim é não e o não é sim segundo quem, segundo onde e segundo porque é que. Um país onde se fez uma moção de censura por um motivo que, multiplicado noutro pátio, faz meses que se escondeu após densas e estúpidas cortinas de fumo. Um país que se {cachondeó} de Rajoy e o plasma e agora {contamos} com um presidente mudo ou contradito e um vice-presidente que pede cadeia para alguns jornalistas. Um país onde se põe na rua a golpistas tratados nas cadeias a corpo de rei e pede uma trintena de anos de cadeia por problemas fiscais a um par de atores, um país onde o cumprimento vai ser delito, mas as homenagens a terroristas continuam a ser uma exaltação da amizade. Um país onde alguns viviam faz nada em tendas de campanha na porta do sol e agora dispõem de milhares de euros de ordenado, casas de sonho e pensões vitalícias. A revolução e a regeneração era isto: corte de liberdades, silenciar ao adversário e ocupar o poder/conseguir e os cofres do Estado para erigir uma nova turma dominante que chegou para salvar-nos de nós mesmos. A doutrina da contradição evoluindo ao disparate. Um {oxímoron} maravilhoso e permanente. A noite dos mortos viventes, o engenhoso estúpido, a douta ignorância, a acalma tensa, o valentão cobarde, o saboroso veneno, a doce amargura, o gelo abrasador de {Quevedo}, os {placeres} horrorosos e as doçuras horrendas de {Baudelaire}, os cheios de vazios de Monterroso, a gentil descortesia de {Góngora}, as mentiras verdadeiras, os anjos do inferno, altibaixos, claro-escuros, {subeibajas}, vicissitude e uma sociedade que face ao despropósito, o desencanto, a mentira e o cinismo, só/sozinho é capaz de oferecer um silêncio {atronador}. Aventurou Lope de Vega o {oxímoron} atual: «Sossega um pouco/bocado, {airado} temeroso,/ humilde vencedor, menino gigante,/ cobarde matador, firme/assine {inconstante},/traidor leal, rendido vitorioso./ {Déjame} em paz, pacífico furioso, /vilão {hidalgo}, tímido arrogante,/ lúcido louco, filósofo ignorante,/ cego lince, seguro cauteloso…».

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