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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 21 de septembro de 2018

O Mercantil

ROSALÍA PERERA Abogada
13/06/2018

 

A rua é uma feira. É a mesma rua do ‘{Pichi}’, daqueles {pepinillos} com {anchoas} e {Toto} Vaidoso vendendo quadros e pedindo que lhe {invitaras} a uma cerveja. E tu, que {llevabas} contadas as moedas no vaqueiro e os ducados assomando do bolso de atrás, {renunciabas} à segunda, lhe {pasabas} o pacote, a caixa de fósforos e lhe {prometías} que na sexta-feira seguinte te {llevarías} uma de suas pinturas. A minha pendura sobre/em relação a o piano. E desde ali tem presenciado, com face de {póker}, estes mais de trinta anos. Agora se fuma fora. Sem {recordar}, sem saber sequer que, antes, quando {volvíamos} a casa, o fumo ia impresso no gesto, no deixe {balbuceante}, no traspés, no cabelo que se beijava para desenredar as boa noite. E também se bebe fuera do supermercado diretamente a sua boca, ouça. Desde a loja da esquina vai {recebándose} a sede sempre insatisfeita das passeios. Como a vontade de encontro, de {atronarse} fazendo orelhas moucas às penas, de pouca luz para ver-se, por dentro, e roçar-se, {tamborileando} a música que sobre/em relação a seus joelhos, depois sobre/em relação a as dela, lhes alimenta. Transferir a porta, negra, e estourar. A riso, as confidências aos berros alojadas em teu orelha para que não saiam e não as alcance ninguém. Só/sozinho para ti. Minha menina. Gargalhadas de gosto. Gosto pela canção que soa e que {tararean} os {botellines} chocando. Por {nosotras}. Outro brinde mais, mais além outro na esquina, outros muitos. Mesmo de quem, só/sozinho, levanta a taça olhando-nos como se fora um cavalheiro que se toca o asa de seu chapéu, a modo de cumprimento. Sem conhecê-lo. Sem importar, nesta reunião de gatos {pardos}, se é, se foi, se será. Passa a hora fixada e todos parecem sabê-lo, ninguém é pontual salvo a noite. De repente, como se um código {morse} que transfere as ruas e o ar dos casas de jogo clandestinas tivesse dado o aviso, se enchem os assentos, os cantos, a barra/balcão {acodada}, o chão que rodeia o cenário, dos nossos filhos, que saíram de casa sem jantar e com fome. É quarta-feira e ‘Microfone aberto’. Um silêncio respeitoso dá o substituição aos que vão subindo a recitar, cantar, tocar o {ukelele} ou marcar o ritmo com suas violas. Se aplaudem, comentam, debatem com um profundo respeito e uma alegria de aprender, de partilhar, que ilumina esta escuridão procurada, cegando'm como o flash duma câmara. E mesmo assim {reconozco}, baixo/sob/debaixo de as barbas, as costas {anchas}, as ondas de seu {melena}, o carmim violeta dos lábios, os olhos dos meninos que foram, e {admiro} como têm crescido, relambendo'm os bigodes de gata {parda}. Saio, só, e O Mercantil se afasta. Se fecha. {Empaqueta} os apetrechos, baixa a persiana, guardando's para sim os restos de muitos, histórias que se calhar, dentro de trinta anos, alguém {desembale} para contá-las noutra coluna. Outra madrugada.

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