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«Me tenho salvo numa guerra»

Depois de/após 73 dias hospitalizado por {covid}-19, 45 deles na {UCI}, José Jiménez González, de 72 anos, recebeu ontem o alta com o regozijo e a gratidão de quem sabe que esteve prestes a perder a vida H Sua família acompanhou sua saída comovida

 

Felizes 8José Jiménez, ontem, ainda na quarto 527, com três das suas filhas, sua mulher e um dos seus netos. - S. GARCÍA

A. M. ROMASANTA
10/06/2020

Cuando José Jiménez subiu à ambulância que o levaria diretamente à Unidade de Cuidados Intensivos ({UCI}) do Hospital Universitário de Badajoz, a sua mulher, Isabel Contreras, não a deixaram ajudá-lo e acompanharlo. 73 dias depois de/após aquele fatídico 27 de Março José regressou ontem a sua casa, invicto, após ter-se batido num duelo a morte com o {covid}-19. Este homem de 72 anos mostrava-se contente/satisfeito, débil, mas feliz, com vontade de satisfazer um desejo com o que «sono/sonho todo os dias»: tomar o pequeno-almoço numa terraço de seu bairro, Valdepasillas, um café com leite e uma torrada inteira de tomate e presunto.

José Jiménez foi um dos primeiros doentes que ingressou por {covid} na {UCI} do Universitário de Badajoz, onde tem permanecido 45 dias, e um dos últimos em sair. Toda a família Jiménez Contreras tem vivido estas intermináveis semanas «com preocupação e com muito temor, também com esperança», contava ontem uma de suas quatro filhas, Manoli.

Desconhecem exatamente a origem do contágio, mas suspeitam da viagem do {Imserso} que José e Isabel realizaram de 5 a 11 de Março a Ibiza. Isabel explica que já no aeroporto se respirava «essa revolução de quando as pessoas não está muito tranquila». Na quarta-feira 11 chegaram a Badajoz e os primeiros dia não saíram de casa. No sábado 14 se declarou o estado de alarma. Na segunda-feira o marido começou a sentir sintomas duma gripe. Isso pensaram e já na quinta-feira chamaram ao 112 porque tinha piorado. Lhe fizeram uma placa e os pulmões estavam limpos. Também a prova {PCR}, cujo resultado foi positivo. Seguindo/continuando as recomendações sanitárias, José se isolou numa quarto e Isabel lhe aproximava a comida/almoço com todas as proteções possíveis. Teve febre embora não muito alta. Mas perceberam/receberam que José «ia a apagando, como com uma depressão». De facto, desde que se isolou falava todos os dias com as suas filhas ao telefone, mas aquele quinta-feira já não teve vontade de falar. Também Isabel começava a sentir-se muito cansada. Chamaram ao 112 e uma ambulância o recolheu. O seu pai não recorda como pôde descer. «Muito mal, segundo minha mãe».

PNEUMONIA / Ingressou na {UCI} diretamente com uma pneumonia bilateral. Só/sozinho tinha passado uma semana desde que lhe fizeram a primeira placa, que não tinha dado nada. As 12 primeiras horas não requereu respiração assistida mas depois tiveram que intubarlo e pediram à família autoridade para um tratamento experimental. «Graças a Deus parece que é o que lhe tem salvo a vida e aqui está, porque lutou muito», conta Manoli. O têm {extubarlo} 3 vezes, as duas primeiras sem êxito. Chegaram a apresentar uma traqueotomia, «mas não fez falta».

O 11 de Maio saiu por fim da {UCI}. A família não cabia em si de alegria, «mas o vimos tão débil», que eram emoções encontradas. Embora ao sair da {UCI} já era negativo em três {PCR}, o levaram à planta {covid}. Do tempo que permaneceu na {UCI} diz que não se acorda de muito. «Sim da solidão que tinha sofrido». E dos «sonhos», nos que se via «na antessala da morte». Porque «ele acreditava que se morria e que não podia despedir-se de {nosotras}». Ao sair da {UCI}, caminho do elevador, só/sozinho puderam ouvirle dizer: «Agora vou a precisar muita ajuda vossa».

A médica Ana Castañer contava que José Jiménez foi possivelmente o doente de {covid} que mais tempo esteve na {UCI} e hospitalizado. «Tem tido um ingreso muito longo/comprido porque tem desenvolvido complicações». Ainda «encontra-se muito débil, por tudo o processo que tem tido mas é recuperável, terá que seguir/continuar suas revisões mas com bom prognóstico», detalhou.

Isabel também esteve doente com coronavirus. Na sexta-feira que o seu marido ingressou na {UCI} lhe fizeram uma placa no Perpétuo {Socorrio} e tinha pneumonia bilateral. Esteve 13 dias ingressada neste hospital «mas não foi tão forte como ao meu pai».

Para suas familiares todas estas semanas foi muito duras. Até 23 dias depois de/após seu ingreso na {UCI} não puderam ver a o seu pai por videochamada. «Nos dava igual que estivesse intubado». Manoli destaca a «tremenda humanidade» de tudo o pessoal sanitário que tem atendido a José. Cuando lhe deram o alta na {UCI} acreditavam que já poderiam acompanharlo, mas enquanto esteve na planta {covid} só/sozinho podia fazê-lo duas horas a mesma pessoa, sua filha Maribel. Depois de/após 10 dias o transferiram a Pneumologia, onde já têm podido revezar-se todas as filhas e sua mulher. «Todos queríamos estar com ele», aponta Manoli.

«É um milagre. {Entré} na {UCI} e acreditei que estava pisando o limiar da morte», relatava ontem José, com certo esforço. Agora sofre {atrofia} muscular que requererá reabilitação. Mas já é o de menos, porque «tenho saído duma guerra». Uma guerra na qual lutou, porque «não queria que minhas filhas não me voltassem a ver e aqui estamos, contando-o». Ao seu lado, Isabel sentia «a felicidade maior do mundo».