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História (VI)

 

FERNANDO Valdés
09/03/2020

Quando um arqueólogo começa um projeto tem duas tarefas iniciais fundamentais: a administrativa e a logística. A primeira compreende todo o relacionado com os trâmites burocráticos iniciais. Nos anos setenta eram mais simples. A gestão do Património Arqueológico ganhou em eficácia com a Comunidades Autónomas, mas também -¡e muito!-, em burocracia. E os resultados não são superiores aos de antanho. Aceitando as diferenças de escala impostas pelo tempo e pelo desenvolvimento, não melhoraram. Somos capazes, com mais formação, de fazer melhores análise, mas se isso fica guardado num arquivo e só teoricamente –insisto, teoricamente– acessíveis aos investigadores, não serve de nada. É energia cinética. O segundo problema, que mencionava mais em cima, é a logística. No Badajoz da sétima década do século XX não vão achar que tinha de tudo ou, por dizê-lo sem ferir suscetibilidades, não tudo era fácil de encontrar. Algo tão simples, agora, como comprar sacos de plástico transparente que fechassem com certo hermetismo, era empresa impossível. E, acreditem, me ajudaram em minhas pesquisas comerciantes experientes, cujos nomes omito, por discrição.

Encontrar trabalhadores, não sei se dizer felizmente ou infelizmente, era a coisa mais fácil. E para cavar não faz falta ter muitos conhecimentos teóricos. Essa história dos «peões especializados em Arqueologia» que se usa nos projetos atuais é uma perfeita bobada; um golpe. E, salvo para certas tarefas muito concretas, os alunos, por voluntariosos que sejam –que fossem–, servem pouco. Sou da opinião, não infundada, que os estudantes de arqueologia devem ir às escavações a aprender isso, não a tirar seiras.

Não está mal saber como se faz, sobretudo por solidariedade. Mas eles ao seu: a aprender a reconhecer e a interpretar. A extrair, isso sim, os objetos delicados. Aqui voltamos a ter sorte. Quem isto escreve fez não poucos amigos entre os trabalhadores e, do êxito dalgumas campanhas, eles foram responsáveis em curso universitário sumo. Os voluntários também, mas isso é outra história, porque o começo dos trabalhos produziu uma vaga de adeptos com vontade de descobrir tesouros.

*{Árqueólogo}