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El Periódico Extremadura | Quarta-Feira, 17 de janeiro de 2018

Face ao rio

Ascensión Martínez Romasanta Periodista
07/01/2018

 

Durante anos tenho ouvido em muitas ocasiões que esta cidade vive de costas ao rio. Não conheci aqueles tempos nos que o Guadiana fazia parte do lazer dos badajocenses e suas beiras e suas margens eram frequentadas em verão por banhistas, excursionistas e domingueiros. Só/sozinho tenho imagens vagas de pessoas chapinhando ou tomando o sol numa praia de água doce e lembranças alheias de um {barquero} cruzando de beira a beira.

Nos últimos anos, houve tentativas infrutuosas de tentar tirar jogo/partido a uma fonte inesgotável de aproveitamento desportivo, paisagístico, ecológico, turístico e até hoteleiro, mas parece que só/sozinho pescadores e canoístas têm sabido aproveitar o luxo de usufruir -com autorização do camalote e o {nenúfar} mexicano- de umas águas urbanas tão selvagens como descuidadas. Um empresário arriscado pôs em marcha um negócio de barcas a pedais e ainda que se resistiu a abandonar a ideia, finalmente teve que reconhecer a derrota por falta de procura e de apoio das administrações. Outro tentou tirar adiante o projeto de um barco turístico que percorresse o Guadiana mostrando o património de seu ambiente. A Câmara Municipal mesmo chegou a fazer sua a ideia e anunciou que tinha vários empreendedores interessados, mas nunca mais se soube. Não deve ser disparatado quando em ambientes próximos como é o cais de {Villarreal} ,em {Alqueva}, funciona com um serviço de {canoas} e canoas. Mas algo falha em Badajoz. Como falha o negócio dos bares e restaurantes que se põem em marcha nos conhecidos como locais do rio, na margem esquerda, que fizeram parte do chamado projeto duro de recuperação desta beira. Não se entende que num ambiente inigualável a hotelaria não funcione. Noutros sítios não acontece. Por não ir muito longe, em Medellín há restaurantes junto à beira que não só/sozinho são um reclamo fantasioso para os visitantes mas fazem parte do paisagem local. É incrível que em Badajoz seja tão difícil. Há locais que levam anos vazios, outros têm tido que fechar porque não suportaram o transtorno das obras que levou a cabo a empresa estatal {Acuaes} e que se têm prolongado muito mais do previsto. Dois anos mais, que não é pouco/bocado. Por fim, os trabalhos têm terminado e a instalação do novo cano de esgoto se tem aproveitado para recuperar as beiras e dotar de um novo espaço à cidade, que tem ganho um flamejante passeio num terreno que antes não era de ninguém, nem do rio, nem de suas beiras. Como já aconteceu no 2014 quando terminou a obra do parque da margem direita, não houve que esperar a que as autoridades o inaugurem. Os badajocenses se {adueñaron} deste lugar de diversão, que fizeram seu e sem o que agora parece que não poderiam viver. Ali sim têm funcionado os negócios de hotelaria. Os quiosques tardaram em funcionar mas, uma vez abertos, há caudas para poder/conseguir sentar-se nos veladores. Parece que demos com a tecla para poder/conseguir viver face ao rio. Também a Câmara Municipal {acertó} tirando a licitação os trabalhos de manutenção deste passeio. {Joca} faz bem seu trabalho e o parque está cuidado em cada detalhe. A ideia é fazer o mesmo com o da margem esquerda, onde também não os badajocenses têm podido esperar e antes de que as grades se tivessem retirado, já estavam passeando por seus trilhos e caminhos. Agora que também se conseguiu que o botellón se transfira do passeio Fluvial, já não há desculpas para voltar a conquistar e usufruir desta beira e tirar jogo/partido de um rio que só/sozinho deu vida a esta cidade civilização após civilização.

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