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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 28 de fevereiro de 2020

Estética clássica e letras flamejantes

A maioria dos tipos mostrados pelas murgas que atuaram na segunda sessão do {COMBA} relembravam a tradição carnavalesca de décadas passadas H O conteúdo foi a fonte principal do mais inovador da noite

ANTONIO GALVÁN
14/02/2020

 

Si algo ficou claro na segunda sessão do concurso de murgas do Carnaval de Badajoz é que não importa tanto/golo a {hojarasca} como a substância, que o conteúdo e sua interpretação sempre foram os fundamental num certame deste tipo; o que mais importava ao fim, embora, em ocasiões, a tendência pela inovação no puramente estético tenha {soslayado} o verdadeiramente substancial.

Acontece que, às vezes, o {azar} ordena as coisas do modo justo em que necessitamos contemplá-las para cair-nos do {guindo}, se é que alguma vez estivemos no alto. E na segunda jornada do {COMBA} se alinharam um conjunto/clube de tipos que ajudaram a que as pessoas não se distraísse tanto/golo contemplando detalhes de fatos e cenografias, e a que, portanto, centrasse toda sua atenção em sobre/em relação a que e de que modo se estava cantando.

Isto não quer dizer que tenha que desatender o cuidado dos detalhes nos fantasias, nem que a cena deva ser descuidada. Mas a seiva do carnaval encontra-se em letras e músicas, e que tudo o que enfeita, embelece e realça, mas não pode substituir ao primeiro.

As Polichinelos lhe {echan} o laço ao carnaval

A primeira murga em saltar às tábuas foi a de As Polichinelos. Seus componentes se apresentaram perante o público do López de Ayala disfarçadas de vaqueiras do Distante A oeste. Chapéu, lenço, {chaquetilla} e demais {ropajes} bem combinados, e seu laço e revólveres em {ristre}, como é procedente. O plano cénico também oferecia o contexto propício para o processo, com suas colinas ao fundo, e o banco, a prisão e a {cantina} (com piscadela a As Águas-furtadas, bar {murguero} por excelência) completando a estampa.

Utilizaram o tipo como fio condutor duma atuação na qual se abordaram numerosos temas e assuntos de atualidade. Especialmente bem trazido esteve o primeiro de seus {pasodobles}, no qual utilizaram dezenas de títulos de filmes, ligados de maneira muito coerente, para acabar partilhando uma reflexão acerca do rumo suicida empreendido por uma parte da humanidade. Também se manifestaram contra do machismo, da violência contra a mulher e da falta de contundência no trato que se dispensa aos agressores. E apostaram em uma educação e justiça de qualidade como melhor tratamento contra um dos principais {males} que {aqueja} à sociedade atual. Os {cuplés} os dedicaram a temas mais ligeiros. Num deles, brincaram acerca de uma amiga que pratica algo mais que yoga e {zumba} com o monitor do ginásio. E, no outro, se {carcajearon} de um namorado {vegano}, e, com picardia, deixaram claras as consequências colaterais que teria para o {susodicho} sua persistência numa dieta tão restritiva. Finalmente, no mistura, seguiram/continuaram espremendo os recursos do tipo e, além disso, o {trufaron} de referências a personagens da cidade, como Fragoso, {Gragera} ou Celdrán, e lhe tiraram ponta a assuntos eminentemente locais, como o pacto de governo de Badajoz, a realização de um programa de {Chicote} num bar da cidade, ou a celebração do carnaval, {Almossassa}, etc.

As discípulas extremenhas de Paquita Salas

La murga 20 D’Taças apresentou em sua atuação a {Jacinta} Gala, uma representação de artistas claramente inspirada em Paquita Salas, a série concebida por Os {Javis}. Em seu tipo não faltaram detalhes como colares de {perlas}, cintos de {Chanel}, óculos reguladas e de sol, casacos três quartos de cabelo, saias ou camisas com estampados. La cenografia representava o escritório de {Jacinta}, e contava com imagens dalguns dos famosos que tinham contratado seus serviços.

Em seu repertório, defenderam a igualdade entre homens e mulheres, arremeteram contra os políticos, criticando sua deixação de funções e incompetência, fizeram {chascarrillos} com personagens como Rufião, Cristina Pedroche, Ortega-Smith, Pedro Sánchez ou {Abascal}, a conta de diferentes assuntos e curiosidades, convidaram a todas as murgas a seguir/continuar seu exemplo à procura de um concurso inclusivo, aproveitando recursos como a língua de signos e a {audiodescripción} para derrubar as barreiras às que têm de enfrentar-se, também em carnaval, as pessoas com algum tipo de deficiência.

Guias ‘{free} tour’ com faísca de Badajoz

Provavelmente, o tipo mais inovador que se viu em cena durante a segunda jornada de preliminares foi o de A Contragolpe. Guias turísticos pode que tenha tido sobre/em relação a as tábuas de López de Ayala nalguma ocasião, como personagens principais ou como figurantes, mas guias ‘{free} tour’ não, entre outras coisas porque sua figura nos era absolutamente alheia até faz não demasiados anos.

Por se ainda tinha algum despistado que não sabia em que consistia isso de ser guia ‘{free} tour’ os jovens de A Contragolpe o deixaram, mesmo com o espalhe de brincadeiras e cores próprias do carnaval, bem claro. Sua fantasia era surpreendente e {mullidito}, e estava {plagado} de detalhes turístico, de acreditações, fotos e mapas, e como não, do {altavocillo} e o microfone já conhecida. Na cenografia misturaram {armónicamente} detalhes turísticos e monumentos de todo o mundo, em forma de desenho, e reproduções de espaços e elementos badajocenses como a rotunda dos corações ou a estátua de {Luís} de Morais.

Sua apresentação destacou por seu dinamismo e musicalidade, pelo pegadiço do refrão que introduziram, pelas referências à cidade, e por sua capacidade para ligar os {gags} mais humorísticos com outras alusões mais sentimentais.

Emotivo foi, também, seu primeiro {pasodoble}, no qual nos contaram uma história familiar em torno do mau de alzhéimer. No entanto, no segundo exerceram a crítica social, e denunciaram que a rejeição a imigrantes e refugiados tem mais que ver com o poder/conseguir aquisitivo que com outra coisa. Os {cuplés}, para aligeirar, os dedicaram à irrupção do {Satisfyer} no âmbito familiar e a uma divertida situação que se produz quando certo casal/par participa em ‘La ilha das tentações’. No mistura, introduziram desde/a partir de momentos de comédias de situação baseados nas aventuras e desventuras da vida e estreitamente do guia ‘{free} tour’ até homenagens aos membros de diferentes tipos de agrupamentos de carnaval, sem esquecer a introdução de referências à Noite em Blanco ou a personagens como Santiago Abascal. Especialmente divertido foi o momento em que {parodiaron} a dança {maorí} dos {All} {Blacks}.

¡Que ricos os chouriços {parrilleros}!

As raparigas de {Murguer} {Queen} montaram uma grelha sobre/em relação a as tábuas do teatro nobre da cidade de Badajoz numa atuação que teria facto/feito as delícias de {Georgie} {Dann}, ao que recorreram {melódicamente} nalguma ocasião. O tipo deste ano é colorido e conta com modelos variados, porque há quem vai ao campo em fato de treino e quem prefere fazê-lo com mais glamour. E a cenografia que montaram foi a necessária para recriar o ambiente campestre: árvores, grelha, mesas e cadeiras de parque de campismo, garrafas, {pinchos}, frigoríficos portáteis, cestos e banhos, entre um sem-fim de pequenos elementos mais.

Em seu repertório lhe tiraram ponta ao tipo e a uma série de divertidas maranhas e situações cómicas que vão produzindo durante o dia de grelha. Criticaram com sorna à pessoas que convida para que se lhe acabe organizando tudo, e provocaram sorrisos com as brincadeiras do encomenda e o esqueço do café. Seus {pasodobles} foram reivindicativos. Reclamaram, por uma parte, mais implicação, meios e recursos para conseguir a plena inclusão das pessoas com autismo. E demandaram mais respeito dos meios de comunicação até o estreitamente e a ilusão/motivação dos agrupamentos carnavalescas. Nos {cuplés}, voltou a sair a reluzir o {Satisfyer}, se {carcajearon} da {pija} repelente do grupo, e lançaram uma crítica a Pedro Sánchez pelo aumento da despesa derivado da {multiplicación} de vicepresidências no governo. Finalmente, no mistura espremeram o tipo, com simpáticos {gags}, lhe cantaram ao carnaval e fizeram um revisão à atualidade enquanto liam um exemplar de La Crónica de Badajoz.

Romanos, mas mais de Badajoz que o Porrina

Los {murgueros} de la Chirigota L’Antiga têm devido de estar ‘partindo's a caixa’ cada vez que os meios {aludíamos} a sua condição de emeritenses. Temos de reconhecer que esta vez nos a têm coado, com muita graça e talento. Porque até responderam às perguntas, por meio de entrevistas telefónicas, com aparente sinceridade e total sossego, e mostrando, mesmo, certa preocupação pelo recebimento que pudesse dispensar-los o público de Badajoz por vir donde vinham. O certo é que não se percebia/recebia, de nenhum modo, o facto/feito de que tudo era um invento para poder/conseguir chegar ao concurso e surpreender verdadeiramente. E temos de reconhecer-lhes que o conseguiram. E que o fator surpresa, nestes tempos de indiscrição e bisbilhotice, se agradece. Ou seja, e para que fique claro: La suposta chirigota emeritense L´Antiga nunca existiu. Só/sozinho era um artifício/ truque/ artimanha, um invento dos membros da veterana {Pa4días}, que são mais de Badajoz que o {mismísimo} Porrina.

Em consonância com sua brincadeira, como não podia ser de outro modo, saltaram às tábuas caraterizados como romanos, com seu {cuadriga}, suas colunas, seus escudos e a indumentária própria das grandes batalhas. Imediatamente, ficou patente o tom irónico, burlesco e jocoso que impregnaria tudo o repertório. Em seus {pasodobles}, advogaram pela tolerância e convidaram a {abortar} as rivalidades e a somar forças, pondo em valor, entre outras coisas, o rico património de ambas cidades. Mas imprimiram um selo humorístico, também a essa parte do repertório, para brincar, por exemplo, acerca do facto/feito de que os emeritenses acabem vestidos de romanos em multidão de acontecimentos. Nos {cuplés}, fizeram referência à polémica surgida pelo questionamento do origem romana do aqueducto e criticaram à nova vereador de Festas. Especialmente {acertado} resultou o refrão, que é pegadiço e rítmico. Logo, no mistura, demonstraram que são bons conhecedores das realidades de Mérida e Badajoz e de muitas das polémicas administrativas e agravos históricos que existem. Aludiram a políticos de tudo signo, desde/a partir de Ibarra a Monago, desde/a partir de Vara a Encostadas, sem esquecer-se também não do presidente da Câmara Municipal de Badajoz. E já no fim de sua atuação, pediram perdão pelo maranha da Chirigota L´Antiga, mas reivindicaram, ao mesmo tempo -e com razão- que o carnaval é carnaval e não temos de {tomárselo} tão a sério.

La conquista do Oeste

O encerramento da noite correu a cargo da murga que triunfou na última edição do {COMBA}, Ao {Maridi}. Nesta ocasião, se apresentaram ao público caraterizados como indianos, com uma cenografia na qual não faltavam nem os {tipis}, nem um totem, nem uma sorte de Monte {Rushmore} de Badajoz com as cabeças dos políticos mais reconhecíveis da corporação municipal.

Começaram, já na apresentação, introduzindo temas de calado: o pacto de governo da cidade de Badajoz, a pena ao esqueço que sofre Extremadura e as semelanças entre os indianos nativos americanos e os extremenho. Nos {pasodobles} animaram a lutar com o arrojo dos velhos conquistadores para desterrar as desigualdades e o conformismo. Também elogiaram aos carnavalescos que participam na festa, e criticaram a aqueles que querem silenciar a festa. Nos {cuplés}, se {chotearon} do linguagem inclusiva, e brincaram sobre/em relação a a falta de autocontrolo do Papa Francisco ou sobre/em relação a a exumação de Franco.

Mas não ficou aí a coisa, porque sua mistura também esteve carregado de conteúdo (a moda de pintar pedras, o pin {parental}, as vicepresidências do governo de Sánchez…), embora não deixaram de introduzir também não referências e {gags} relacionados com o papel que interpretavam. Especialmente significativa, nesse sentido, resultou a tradução ao linguagem nativa do nome de {Mariví}, que resultou ser um {trabalenguas} impronunciável para qualquer que não pertença às filas de Ao {Maridi}. E resultou destacável, de novo, a {afinación} de suas vozes, o incisivo de suas letras e sua qualidade instrumental.

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