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El Periódico Extremadura | Quarta-Feira, 1 de abril de 2020

Cinco ou seis

Ascensión Martínez Romasanta
15/03/2020

 

No há manifestação multitudinária na qual não se entoe como cântico. A força de repetir-se, tornou-se numa rima obrigada em qualquer concentração de protesto ou reivindicativa massiva. «Logo {diréis} que somos cinco ou seis». É quase um mote. O {volví} a ouvir reiteradamente ao longo/comprido de tudo o percurso/percorrido na convocatória do 8-M em Badajoz. Diante de mim, um grupo de raparigas jovens sustentava um cartaz e de quando em quando {coreaban} a frase. Me {quedé} com a vontade de perguntar-lhes se sabiam que significa e a quem ia dirigida. ¿Quem vai a dizer que somos cinco ou seis?

Entendo que os recetores deste recrimine som os meios de comunicação ou aqueles contra aqueles que vai dirigida o protesto. Como quase sempre me pega do outro lado, trabalhando, penso que é contra a imprensa, como se os jornalistas não soubessem contar e lhes dá por minimizar o poder/conseguir da convocatória. Se assim fora, não é verdade. Como as cifras contam e em muitas ocasiões se lhes dá mais importância aos números que ao mensagem, a imprensa se preocupa muito muito de tentar saber quanta pessoas realmente apoia uma manifestação ou vai a um protesto. Precisamente porque sempre terá quem reaja com queixas por não ter sabido contar bem, pois não coincide com o número que a organização maneja ou quereria ter alcançado, porque essa é outra. A quantidade/quantia é significativa pelo apoio que representa à causa que se defende. Quantos mais vão, mais razão têm. Sempre não é assim, mas é uma crença generalizada que se milhares estão dispostos a sair à rua é porque motivos terão.

À falta de um contador automático objetivo e fiável, nisto do número de participantes o resultado sempre dependerá, como a cor do vidro, dos interesses de quem {eche} as contas. É absurdo que para que um meio de comunicação possa informar duma maneira objetiva tenha que dar dois versões, que às vezes estão tão afastadas que a conclusão perde totalmente seu sentido, que é informar da verdade. No é possível que os organizadores cifrem 4.000 e a oposição/concurso público, 400.

O cântico de «logo {diréis} que somos cinco ou seis» se seguirá/continuará reproduzindo enquanto esta luta de cifras se mantenha como demonstração do poder/conseguir de convocatória. Na medida do possível, os meios de comunicação temos que dispor de recursos próprios para saber com a maior/velho segurança possível quantos som os que som, sem necessidade de ter que ir a várias fontes, quase sempre interessadas.

Mas não porque tenham comparecido cinco ou seis deixa de assisti-los a razão. No sempre a quantidade/quantia equivale à sensatez. Há convocatórias que falham, que não atraem à pessoas, que não animam a participar e não por isso deixam de ser importantes, muito importantes.

Às prova me {remito} e a experiência não pode ser mais tristíssimo e {lacerante}. Cada vez que uma mulher morre assassinada por seu ex-companheira, a Câmara Municipal De Badajoz convoca um minuto de silêncio. Poucas vezes se juntam mais de vinte na fachada, atirando pelo alto. Quase nunca os meios se referem a quantos som, pelo insignificante. Mesmo assim, não deixa de ter sentido esta convocatória, apesar de que nesta legislatura se tenha utilizado como disputa política e agora se convoquem dois atos, um perante as portas da Câmara Municipal e outra diante da Delegação do Governo. Eram poucos e em cima divididos. Uma tristonha pena. Mas até isso fica num segundo plano. Quando a causa é justa, cinco ou seis som suficientes. Mais que suficientes, necessários.

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