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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 17 de dezembro de 2018

Casablanca (e III)

FERNANDO VALDÉS Arqueólogo
11/06/2018

 

Não escrevo sobre/em relação a Casablanca porque queira presumir de viajante, como agora está tão ao uso. O faço por dois motivos: porque adoro essa cidade -parece uma constante que me gostem as cidades feias e acolhedoras- e porque surpreende como as empresas turísticas inventam um suposto exotismo para vender um sítio que não o é tanto/golo. O mais interessante fica fuera do alcance dos visitantes de umas horas e se lhes apresenta como típico marroquino algo que, se é algo, é francês. Ou, melhor dito, francês {colonial}. Os turistas estrangeiros vão a Casablanca porque é um ponto centralizador e bem comunicado, se se chega em avião, e é o único porto marroquino, com {Tánger}, onde podem fundear {trasatlánticos}. Quero dizer que ninguém chegaria ali, à margem dos negócios, se não fora porque é cómodo. E já que está, pois terá que venderle algo. E para isso se recorre ao exotismo {facilón} do marroquino ou do árabe. Dá igual, porque ao turista europeu, americano ou japonês a pé lhe dá o mesmo. Não entende nada. Se lhe mostra, como se fora um portento da arquitetura islâmica, o bairro do {Habús}, planeado e construído por um francês a começos do XX. Não cabe dúvida de que é uma curiosidade, mas só/sozinho uma reinterpretação {colonialista}, à mourisca. Isso não se lhes conta aos visitantes e se deixa passar a oportunidade de fazer-lhes assistir, por exemplo, a um concerto de música {magrebí} –ou {andalusí}- que é a autêntica clássica do islão ocidental. ¿Que flamenco, tendo tanto/golo, se oferece aos turistas que chegam a Badajoz? Também se oferece a visita à famosa mesquita de {Hasán} II, que é impressionante por fora, mas um {bodrio} ao interior. Levantada por outro francês com um esbanje de meios artesanais -e de dinheiro, descontado à força da ordenado dos funcionários- sem saber distinguir o que é uma mesquita de um pátio com {arriates}. Nossa catedral só/sozinho se visita se há sorte.

Tudo isto o {describo} porque no mundo do turismo existe um património inventado ou falsificado ou {tergiversado}. ¿Não passa igual em Badajoz? ¿É que a cidade e sua história se resumem numa subida e descida pela rua Sapataria, uma volta rápida pela Alcazaba e um saco/sacola/bolsa de presunto ao vazio?

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