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El Periódico Extremadura | Domingo, 26 de janeiro de 2020

{Camelo} de Natal

Ascensión Martínez Romasanta Periodista
08/12/2019

 

É o que têm as redes sociais, para o bom e para o mau: que tudo se sabe e o que se sabe ou se acha se expande como a pólvora, sobretudo os escândalos e os {escozores}.

Se vê que estamos todos muito desejosos de visitar lugares novos e originalíssimos e {corremos} à mínima a conhecê-los enquanto nos {enteramos} de que algo importante, originalíssimo e majestoso está prestes a estrear-se e vai ser um {bombazo}. Não nos gosta ficar-nos atrás se há um projeto que se promove como maravilhoso que atrairá a milhares de visitantes. A Capital {do} Natal anunciada em Lisboa como a cidade dedicada à Natal maior de Europa, a {Laponia} portuguesa diziam, já tinha lista de curiosos muito antes de que abrisse. Ninguém podia imaginar que as imagens que descreviam o que estava prestes a nascer fossem um {camelo}, menos numas datas nas que reinam as boas intenções, as mensagens positivos e os desejos de paz e amor.

Tinham prometido um paraiso branco e o que na verdade oferecem é um {amago} de parque de atrações baixo/sob/debaixo de mínimos. Em lugar de neve tinha uma tapete verde húmida e cheia de charcos e em vez dos ajudantes de {Charlie} em A Fábrica de Chocolate, os primeiros visitantes encontraram um corpo de dança descoordenado formado por quatro {teletubbies} {desmelenadas} sem graça alguma e menos ritmo. E esses pobres e tristes renas. Dirão os responsáveis que estavam cuidados muito bem, que usufruíam de toda uma parcela a sua disposição para seus {correrías} e que não tinham cornos porque se lhe caem precisamente nesta época. Serão duma espécie diferente aos que transferem a {Papá} {Noel} por toda a gente em seu trenó, luzindo {cornamentas} de prémio e que precisamente é nesta estação quando as {airean}, pois é a única ocasião a cada ano -que saibamos- que saem de seu refúgio nevado para percorrer o planeta de chaminé em chaminé.

O desengano foi tal que os primeiros visitantes não tardaram em avisar aos que estavam por chegar para que não {cayeran} na mesma batota/logro. As queixas se contam por centenas, não só/sozinho na Extremadura, também em Andaluzia e noutras comunidades. Tal foi o despropósito que até houve comunicações entre os responsáveis dos ministérios de Consumo de ambos países, para evitar que o assunto do parque enganoso se convertesse numa questão de Estado, que nem na Guerra das Laranjas.

Como uma bola de neve que roda desde/a partir de a cume da montanha engordando seu diâmetro, as desculpas da empresa promotora do parque têm aumentado ainda mais o despropósito com o que seu projeto deu seus primeiros passos. Mira que dizer que a culpa a têm os blogues e as agências espanholas por publicitar imagens que não têm nada a ver com a realidade, por sua conta. Pois menos mal, porque se chegam a pôr fotografias captadas in situ do que estava prestes a nascer, não teriam vendido nem um só bilhete nem teriam gerado a mais mínima expectativa. Dizem que nisto da fama é melhor que falem dum embora seja mau. Se calhar a esta mau chamada Capital {do} Natal até lhe tenha vindo bem o escândalo que se gerou, pois as redes se têm encarregado de multiplicar {exponencialmente} a promoção desta iniciativa, que embora foleiro, pode que ainda esteja a tempo de salvar-se. Eu não me tinha apresentado aproximar-me à capital de Portugal nestas datas e agora me pica a curiosidade de viajar a conhecer esse sítio do qual toda a gente fala. Lástima que se calhar quando eu chegue o corpo de dança esteja {aleccionado} e tenha tido tempo de ensaiar uma coreografia decente.

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