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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 23 de junho de 2017

Bocas são ouvidos

MIGUEL ÁNGEL CARMONA Portavoz de la Plataforma por la Educación Cerro Gordo
19/06/2017

 

A Delegada Provincial de Educação e os técnicos responsáveis do projeto da escola que, segundo se nos prometeu, estará funcionando no curso 2020-21 no Cerro Gordo de Badajoz, vieram a nosso bairro, acompanhados pelo porta-voz do grupo socialista no Câmara Municipal, Ricardo Cabezas. Traziam baixo/sob/debaixo de o braço três painéis com planos e imagens do futuro colégio, com suas árvores e seus meninos incluídos. A muitos, nos recordou àquela maqueta tão bonita que tinha na imobiliária que nos vendeu o apartamento, onde não faltavam nem sequer os cães nos parques que nunca se construíram.

Por isso nos estranhou especialmente que a Delegada nos dissesse que tinham vindo para anunciar-nos que a escola era uma realidade e não simplesmente «algo sobre/em relação a o papel». De papel papelão estavam factos/feitos aqueles painéis, e de papel está facto/feito o {BOE} onde tem saído publicado. No discurso político, se calhar isso seja equiparável à realidade. No discurso de vizinhos e cidadão, a realidade continua a ser um solar vazio e mas de mil meninos que hoje voltaram a montar-se em autocarros e carros para repartir-se entre os atestados colégios e institutos da zona, e que seguirão/continuarão assim pelo menos outros três anos.

Não sei se imaginavam que o auditório estouraria em aplausos quando nos mostrassem seus desenhos, mas certamente não foi assim. Os vizinhos/moradores do Cerro Gordo somos jovens (uma média/meia de 30 anos numa população de 6.000 vizinhos/moradores), mas somos maiores/ancianidade de idade, e não vemos favores onde somente há a reparação de um agravo. Utilizaram metáforas e analogias certamente desafortunadas. Diante da evidencia —manifestada por vários vizinhos/moradores assistentes— de que a escola chega tarde e que urge planificar a construção de um instituto/liceu, a senhora Delegada nos esclareceu, com vocação docência, que não se pode correr, que primeiro temos de andar. Mas no Cerro Gordo já temos andado, corrido e agora já vamos voando para levar a nossos filhos a classe. É a administração a que estava dormida, ou inconsciente, ou {indolente} e, sim, deve correr, como fazemos todos quando não cumprimos com nosso dever e nossa responsabilidade, como quando {llegamos} tarde ao trabalho (ou ao colégio). Nos disse, também, que devíamos ser realistas, e para pôr-nos um exemplo da realidade à que se referia, esclareceu que «os alunos de Villafranco vão ao instituto/liceu de Talavera». Não sei se sabe a senhora Delegada que a população do Cerro Gordo equivale à de ambas povoações juntas. ¿Aqueles que éramos nessa equação: Villafranco ou Talavera?

Dados: atualmente há 1.089 meninos recenseados de 0 a 14 anos em nosso bairro; 154 nota máxima/de 10 a 14, 306 de 5 a 9 e 629 de 0 a 4. Uma progressão conservadora atiraria uma cifra de 300 potenciais estudantes da ESO quando, em 2020, venham os representantes de revezo a pôr-se a medalha da abertura da escola. Centenas de meninos nem sequer chegarão a usufruir da escola porque os seus pais optarão por mantê-los nos centros nos que já estão escolarizados, com conhecimento de causa de que dois ou três anos depois terão que voltar a subir-se aos autocarros para ir ao instituto/liceu. Mas isso parecia não querer ser ouvido, porque o objetivo de ontem era colocar o discurso da «realidade» da escola: bocas sem ouvidos. A Delegada provincial foi taxativo: do instituto/liceu podemos esquecer-nos por agora. O Plano de Infraestruturas está recém aprovado e não o contempla.

No entanto, o senhor Cabezas anunciou com solenidade que seu acordo/compromisso e seu «briga pessoal» será que isso não aconteça, e que aqueles meninos que cursem infantil em nossa flamejante colégio poderão fazer a ensino secundário sem sair do bairro. Se alguém sabe como pode prometer-se algo assim com essa seguridade, quando não depende de quem promete e se está a falar do futuro de centenas de famílias, que nos o explique, por favor. Em qualquer caso, e passando por alto o facto/feito de que ninguém sabe onde estará Ricardo Cabezas com suas boas intenções dentro duns anos, {celebramos} que assuma nossa luta como sua. Com toda sinceridade, preferiríamos não ter que lutar -porque lutar cansa, ¿sabem?-, e apesar disso jamais {delegaremos} a luta em ninguém: todos os apoios serão bem-vindos, mas a briga continuará a ser nossa. Por isso, desde a câmara municipal, pode começar a trabalhamos/trabalhámos-se por isso.

É imprescindível iniciar/dar início os trâmites necessários para a construção de um centro de ensino secundário no Cerro Gordo. A Câmara Municipal deve assinalar a parcela e ceder-la à Junta, e esta cumprir com sua obrigação de dotar de infraestruturas educativas básicas a sua população. E enquanto isso não seja assim, que não espere nenhum representante político que sua gestão seja aplaudida pelos vizinhos/moradores deste bairro, do mesmo modo que nós não esperamos que os técnicos de Finanças nos aplaudam quando {pagamos} nossos impostos. Cumpram vocês com sua obrigação como nós {cumplimos} com a nossa.

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