+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

Amores transfronteiriços

 

ROSALÍA Perera
10/06/2020

Paciência. Isso e te quero. Som as palavras que mais têm repetido estes meses. Variantes floridas como se fossem pedaços de {Neruda} murmurados no telefone. Às vezes intuídas, só/sozinho com olhar-se, ou caladas com um {shhh} ao ver tremer a queixo, a dissimulada humidade nos olhos, um {balbuceo} quase escolar. Não posso dormir. Tentativas de reproduzir na distância as rotinas de antes.Quando se dava por suposta a continuidade, a manutenção.Se assoma à ecrã do telemóvel como se transferi-la fora possível; e, acreditando's as patranhas dos poetas e os filmes de Hollywood, pousa comovido sua mão. Apesar de tudo, sente. Afaga sua liquidez. Cobre de ondas a superfície e no fundo a encontra novamente. {Palpita} uma {Ofelia} revivida. Se {despereza} seu calor. O de ambos, como num espelho. Um eco. Percorre a rugosidade grossa do dedo polegar, a unha que cresceu irregular no índice, a circunferência lisa de seu anel, interrompida, como seu caminho, por um entalhe em forma de 2. Não procuram nada extraordinário, nem novas emoções, nem reinventar-se, só/sozinho seguir/continuar. Seguir/continuar-se, retomando's onde o deixaram, para não deixar-se mais. Ele se encosta à cama, a luz fica na {mesilla}, e os {grillos} soam fora. Começa a afinar a viola e ela procura a postura, conformando o ninho. Os primeiros acordes e sua voz «{Meu} {bem}, {ouve} ás {minhas} {preces}. {Peço} que {regresses}, que me {voltes} a querer...» e a respiração se pausa, a angustia e os olhos cedem, as mãos se {distienden}, a meio abrir, caem ao costado. Amanhece e o café já lhe sabe mais português, a casa. Maquilha seus olhos e seus lábios, encarnados como esse rubor que lhe sobe assustado, de puro nervo. Ele se barbeia e {abrillanta} o carro/automóvel. Sabem que não resultará, nem sequer é um tentativa. Somente um ver-se vertiginoso, um resiste, um {espérame}. O coração se acelera e a velocidade se reduz, quando vê {Espanha} {A6} e os sinais em laranja marcam o estreitamento da via. Ela se {encarama} algo mais no assento, se coloca o cabelo, de esguelha comprova o carmim, retira-se as óculos.Têm calculado a hora exata, o quilómetro exato, a medida do instante, retendo-se, justo antes do controlo da polícia e a GNR. Não têm ensaiado respostas, nem preparando documentação com conhecimento de causa de que seriam inúteis. Não passarão a fronteira, receberão um «não» mas sem dor, com um sorriso e um {perdóneme} e um «com {licença}». Não voltarão de vazio, mas com uma renovada promessa nos lábios. Na auto-estrada um camionista tenta decifrar o {morse} daquele estranho intercâmbio de luzes curtas e longas em plenário/pleno dia, sem entender o chá quero, sem entender o {Eu} te {amo}.