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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 17 de fevereiro de 2020

{Amelia} {Earhart}

ROSALÍA Perera
06/11/2019

 

Nos gostam os mistérios. E as histórias de ilhas perdidas. E as de náufragos. A busca do impossível. Os impossíveis conseguidos. As viagens ao desconhecido. As bolas do mundo que te ofereciam na primeira comunhão iluminava as horas. E a imaginação. Conduzindo-a através de mares, desertos, cavernas. Voltavam azuis as páginas dos livros, encostados para procurar, no fim de cada capítulo, o {dibujito} da estrela dos ventos, os pólos, Damasco, o {Amazonas}, a {Polinesia}, {Mongolia}, as cataratas Vitória. Girando-a rápido, rápido. E depois detendo-a com os olhos fechados para descobrir um ponto, um destino, baixo/sob/debaixo de o dedo. {Viajábamos}. Da mão de {Verne}. E de {Conrad}. E de {Kipling}. E de {Stevenson}. Como Peter Pan {mirábamos} a terra desde o alto. {Superábamos}, sem passaporte nem bagagem, os oitenta dias. {Encontrábamos} tesouros {desbrozando} com um {machete} a mais perigosa das selvas. E nos dormíamos, esgotados, com um {Ábrete} {Sésamo} entre os lábios. {Aprendíamos}, ao instante, a língua de tribos que nunca viram um estrangeiro, embora em nossos cadernos, as conjugações e os ditados pereciam sepultados baixo/sob/debaixo de as correções em vermelho da professora. {Descubríamos} civilizações perdidas nos {Himalayas}, sem apenas assomar a nariz baixo/sob/debaixo de as cobertores. Mas {Amelia} saiu, deu o passo, subiu a um {bimotor} e soube nada mas descolar que já não poderia deixar de voar. Foi a primeira mulher que cruzou o Atlántico. Atravessou o Pacífico, desde {Hawai} a Califórnia. Millas de puro usufrua. Aterrando na vida real sem deixar de planear seu próximo trajeto. De voo em voo. De sono/sonho em sono/sonho. Quando, de menina, a sua mãe não a deixou subir a uma montanha russa, se fabricou com quadros um rampa desde o celeiro. Um braço quebrado, um lábio jogo/partido e um sorriso de querer mais. «Foi como ter asas». Em 1937 se propôs ser a primeira em dar a volta ao mundo seguindo/continuando a linha do Equador. É de noite. Nem sequer as estrelas iluminam o rumo. Baixo/sob/debaixo de seu aeroplano, a terra; cidades e aldeias, cabanas isoladas com pequenas {lucecitas} se resistem a dormir. Os meninos olham o céu das janelas acesas de seus quartos, ou percorrem o perfil dos balões terráqueos na {mesilla}, ou devoram as {paginas} de seus contos baixo/sob/debaixo de as lençóis com a luz duma lanterna. São farois na escuridão. Miolos de pão para saber o caminho de regresso. Mas embora seu rasto se perdeu perto de a ilha de {Nikumaroro}, nos deixou uma frase para seguir/continuar, para continuar a viagem: A aventura vale a pena por sim mesma. É Novembro, as tardes se encurtam. Começam os frios. Com uma chávena de chá, um atlas nas mãos, se {acurrucan} em mim os caminhos.

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