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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 21 de septembro de 2018

{Alicias}

JUAN MANUEL Cardoso
12/06/2018

 

Pedro, Mariano, Pablo, {Albert}, a cultura Telecinco, o futebol, Trump, a postverdade, a vida segundo quem, a cidade segundo qual, os estrategas do absurdo, o discurso do medo, o cinismo da {caspa}, o {socavón} de minha rua, a greve de limpeza sempre na feira, a feira que não cessa, a cessação de tantos, tantos que {claman} no deserto, o deserto que não se aproxima com tanta chuva e trovoada, a trovoada nas relações, as relações que se quebram, os {indepes} que quebram com Espanha, Espanha à deriva, a deriva da economia, as economias de casa que não chegam, e o mundo do direito e ao revés que chega um dia e ao outro também. Passamos do {hedonismo} mais profundo à banalização do mau com a mesma facilidade que {cambiamos} de canal de televisão. Fazemos da nossa capa um {sayo}, nos {escondemos} após um mão-cheia de caracteres, o lazer se converte em deus e {echamos} a Deus de todas partes. Mas há algo de o que não podemos fugir, para o que não estamos preparados. {Dalí} viveu toda sua vida unido à morte. Seu irmão, também chamado Salvador, tinha morto nove meses antes de seu nascimento e {Dalí} acreditava ser sua má cópia/copia. Calculou que tinha sido concebido durante o luto e escreveu: “Começei pela morte, para evitar a morte”. Estava tão obcecado que acreditava que a ciência e a medicina encontrariam algo que lhe convertesse em imortal. Mas nem sequer ele pôde escapar. É domingo e faz um bocado uma amiga de Alicante me comunicou que outra velha amiga de acampamentos e juventude faleceu ontem. A vi faz uns três anos pela última vez. {Recordamos} aqueles tempos de vida e sonhos, {reímos} pelos momentos {disfrutados}. A olhava e via à adolescente que conheci. Seguia/continuava cheia de vida, amando cada centímetro de seu mundo, onde a família, o trabalho e os amigos eram um fundamento essencial. Passei tudo no domingo recordando-la, refletindo sobre/em relação a o efémero da vida, a verdadeira importância das coisas, na facilidade com a que vão tantas {Alicias}, tantos amigos, tantos seres caros. Por um instante, me {desmorono} e, ousado, peço contas ao Deus no qual ela e eu sempre temos acreditado. Esquecendo minha arrogância, regresso à lucidez e sei que agora ela descansa em paz e que algum dia nos {volveremos} a encontrar. Mas, às vezes, subida tanto/golo ter fé.

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