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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 14 de dezembro de 2018

Uma educação sem fronteiras

{Jeiner} Silva e {Regner} Muñoz são os dois primeiros jovens da casa lar Santa Ana, em {Leymebamba}, que viajaram à capital de Terra de Lamas para ver o trabalho que se faz no Ruta de la Plata para ajudar a jovens peruanos como eles

RODRIGO CABEZAS prov-badajoz@extremadura.elperiodico.com ALMENDRALEJO
21/12/2017

 

Jeiner Abel Silva tem 25 anos. Nasceu na aldeia de Praça/vaga {Pampa}, no norte de Peru. É licenciado em Ciências da Informação e seu grande sono/sonho é conhecer suas raízes e o mundo que lhe rodeia. {Regner} Muñoz, de 27 anos, é originário de São Francisco del Yeso, também em Peru. Tem estudado Informática na cidade de {Cajamarca} e também procura dar sentido a suas raízes. Ambos têm um ponto em comum: Pertencem a famílias muito humildes, de comunidades mergulhadas na pobreza e ambos têm podido impulsionar sua educação graças à casa lar Santa Ana que o antiga colégio de Santa Ana de Almendralejo (hoje convertido no Ruta de la Plata) instalou em {Leymebamba} (Peru), em 1998.

Jeiner e {Regner} passam agora uns dias em Almendralejo. São os dois primeiros alunos peruanos que têm podido cruzar o charco para ver em primeira pessoa tudo o que na escola Ruta de la Plata fazem pela educação de seus compatriotas. Ontem tomaram o pequeno-almoço miolos solidários, cuja arrecadação vai precisamente a financiar as despesas da casa lar onde hoje ainda há 24 alunos.

Jeiner conta que chegou ao centro de {Leymebamba} com apenas 12 anos. Saiu da escola (o que aqui é Primária) e para poder/conseguir fazer a escola (Ensino secundário) necessitou estar na casa lar, já que a escola mais próximo o tinha a três horas andando. Nada de carros. «Para mim foi uma experiência maravilhosa. Para além das classes, davam mais de língua castelhana e religião. Vivíamos como em família. Com atividades, encontros, jogos», recorda.

Conta Jeiner que passar pela casa lar significou um ponto de inflexão em sua família. «Meus pais e irmãos viram que se podia sair do povo/vila e crescer estudando. O objetivo de todos era ir a Lima e trabalhamos/trabalhámos na capital. Hoy, felizmente, posso fazê-lo». É que Jeiner trabalha já para uma agência de comunicação duma imobiliária em Lima.

História similar

{Regner} Muñoz tem uma história parecida. «Sabia que o futuro era tentar estudar ou ir à {chacra} com a família». Assim é como lhe chamam ao trabalho do campo em Peru. «Ao início custou entender que estivéssemos ali mais controlados que nenhum menino, mas com o passo dos anos me dei conta que tudo era educação. Saber ser ordenado, gerir e colocar nossa roupa, aprender bons costumes. Tudo nos tem servido para muito na vida», assinala. {Regner} também chegou com 12 anos.

Foi o pai missionário Diego Isidoro o que foi faz agora 20 anos a {Leymebamba}, onde está a casa lar. Ao regressar ao ano de férias, em Almendralejo todos queriam apadrinhar a educação dalgum menino, mas a Diego se ocorreu-lhe a ideia de comprar uma casa e acolher a quantos mais melhor. «Houve momentos que temos tido até 50 alunos, mas felizmente Peru é um país emergente e se têm construído várias colégios nos arredores de {Leymebamba}, por isso agora temos menos alunos», relata Coro Díaz, diretora do Ruta de la Plata e outra das pessoas que mais se tem envolvido neste projeto solidário.

O pai Manuel Vélez é o que tem ajudado a Jeiner e {Regner} a poder/conseguir fazer este ansiado viagem. Ontem, ambos jovens usufruíram à brava vendo como toda a comunidade educativa da escola Ruta de la Plata, incluindo alunos, professores, pais e amigos, se {volcaban} para fazer um pequeno-almoço de miolos com chocolate e tirar fundos para esse projeto. «Não é o mesmo que vão espanhóis a Peru e contem o que estão a fazer por nós, a que nós vamos agora e digamos o que verdadeiramente se está a fazer. Isso vai a motivar muito aos alunos para que sigam/continuem adiante com seus estudos», acha Jeiner.

Além disso, ambos decidiram aproveitar estes dias para conhecer Badajoz, Mérida, Salamanca, Cáceres ou {Sevilla}. É a primeira vez que vêm a Almendralejo, uma cidade que lhes deu a oportunidade de estudar e crescer como pessoas.

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